Capítulo 23

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Wen Ning estendeu as mãos com as palmas viradas para cima e gesticulou para que Bai Renshu lhe desse as suas. Um pouco desconfiado, o cultivador colocou suas mãos sobre as dele e Wen Ning as segurou com firmeza.
Wen Ning o olhou no fundo dos olhos, acariciou as mãos do cultivador e lhe falou com toda a convicção:
— Bai Renshu, se você estivesse com a doença e me contasse, eu moveria céus e terras e faria o possível e o impossível para poder te salvar!

— Mesmo se isso colocasse a sua própria vida em risco?
— Eu não pensaria duas vezes.
— Mesmo que o fato de você já ser um "não vivo" possa lhe trazer consequências bem piores do que a morte?
— Com toda a certeza.

Bai Renshu desvencilhou suas mãos das dele e sorriu de maneira enigmática.
— Bom, nesse caso, ainda bem que eu não estou contaminado.

Wen Ning o olhou com a expressão séria.
— Está bem. Então já que você não está contaminado, creio que você não se importaria se eu te examinasse, certo?

Bai Renshu levantou-se e apoiou a ponta de um de seus pés na cadeira do outro, no espaço que havia entre as pernas de Wen Ning. Ele flexionou o seu joelho e inclinou o seu corpo para frente, pousando suas mãos nas clavículas de Wen Ning e ficando com o rosto a menos de 10 centímetros do rosto do General.
— Ora, ora, ora... Por acaso o General Fortinho está tentando tirar as minhas roupas? - disse o Bai, com um sorriso cheio de malícia e uma voz sensual.

Apesar do flerte, Wen Ning continuou a encará-lo com o semblante firme e irredutível.
— Se for preciso para descobrir a verdade, eu vou tirar sim! — respondeu o Wen, num tom sério e decidido.

Renshu caminhou até a parte de trás da cadeira de Wen Ning e começou a massagear suas costas, nuca e ombros de maneira bastante lasciva.
— Oh... é verdade? - disse o Bai em tom irônico.
Ainda o massageando, o cultivador aproximou seus lábios da orelha de Wen Ning, encostou a ponta da língua em seu lóbulo e depois disse, sussurrando, em um tom ainda mais sensual:
— E por que o General Fortinho está tão interessado em tirar as minhas roupas?

A voz de Bai Renshu em seu ouvido fez com que Wen Ning estremecesse e quase esquecesse o que ele ia dizer. Apesar disso, o General se conteve, virou sua cabeça para olhá-lo diretamente nos olhos e respondeu com seriedade:
— Por que eu já perdi muita gente que eu amava.

Ao ouvir isso, o cultivador ficou imediatamente sério, apenas segurando Wen Ning pelos ombros. As mãos habilidosas que antes massageavam, agora ficaram totalmente tensas e estáticas.
— Wen Ning...
Ele soltou o general e sentou-se de frente para ele, encarando-o com franqueza.
— Seja lá o que você esteja pretendendo dizer com isso, pare. Apenas pare. Eu não sou a pessoa que você imagina.

Wen Ning enrubesceu e finalmente vacilou em sua autoconfiança. Desviando o seu olhar para o outro lado, ele disse:
— Me desculpe, Renshu, acho que te dei a impressão errada. É que não há muita gente disposta a ser gentil comigo, então eu não quero perder nenhuma das poucas pessoas que não me odeiam ou me temem. Por isso eu estou preocupado.

Bai Renshu o olhou francamente e tocou o joelho do general como forma de se fazer conectado e compreendido.
— Wen Ning, eu não sou uma pessoa gentil. Eu sou apenas uma casca vazia e bonita que se beneficia da própria aparência para iludir, enganar e usar as outras pessoas para o seu próprio prazer e proveito.

— Renshu, você não é sempre assim...

O cultivador retirou a mão do joelho de Wen Ning e depois fez um gesto abrangente com ambas as mãos.
— Está vendo tudo isso aqui? A não ser por esta casa e por alguns móveis que já pertenciam à minha mãe, cada peça, objeto, roupa, comida ou moeda que está aqui, foi conquistado de alguma maneira sanguinária, desleal ou escusa. Até mesmo a roupa que você está vestindo eu consegui ludibriando aquela moça, conseguindo convencê-la de que meus músculos haviam crescido e de que eu precisava de roupas maiores e melhores.

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