Ainda enlaçados em um abraço caloroso e apertado, Wen Ning e Bai Renshu se imergiam em um estado de paz e pertencimento. Com os olhos fechados e suspiros suaves, seus corpos se ajustavam em um embalo sutil e silencioso, aprofundando a docilidade do momento.
Quando finalmente se desvencilharam, foi com uma lentidão dolorosa, como se cada centímetro de afastamento exigisse um esforço descomunal. Seus olhares se encontraram, lágrimas não derramadas brilhando em seus olhos, tal como as estrelas que estavam prestes a cintilar.
— Uma pescaria não deveria durar tanto tempo – Wen Ning comentou, sua voz repleta de melancolia. Ele desviou o olhar para o crepúsculo, sua expressão desolada, apertando os próprios braços, como se tentasse se consolar.
Bai Renshu observou-o por um momento, o peito apertado, antes de se encolher de volta ao seu lugar. Abraçando as próprias pernas, ele suspirou profundamente.
— Eu sei, mas é tão difícil te deixar – ele murmurou, escondendo o rosto entre os joelhos, como se temesse que poderia se emocionar.
Wen Ning estendeu a mão hesitante e tocou o braço do amigo, oferecendo um gesto de apoio, enquanto se recostava ao tronco atrás de si.
— Talvez seja melhor assim – respondeu, sua voz um pouco mais firme do que antes. — Desse modo, teremos mais tempo para pensar.
Bai Renshu levantou o rosto, seus olhos arregalados e assustados encontrando os de Wen Ning.
— Pensar sobre o quê? – ele perguntou, o semblante pálido como a primeira geada do inverno. — Você ainda tem alguma dúvida de que é comigo que você deseja ficar?
Wen Ning comprimiu os lábios, sua mão deslizando pelo braço do outro até encontrar a mão dele. Ele a segurou firmemente, num gesto de solidariedade e afeto, sentindo a tensão no corpo do outro.
— Infelizmente as coisas não são tão simples quanto você imagina – disse Wen Ning, olhando nos olhos do amigo com seriedade. — Não se esqueça que há uma terceira pessoa que acabará magoada. Além disso, até que um de nós aceite as condições impostas pelo outro, penso que não devemos nos precipitar.
Bai Renshu permaneceu em silêncio por um instante, sua expressão refletindo um turbilhão de emoções conflitantes. Mas então, como se tomado por uma súbita resolução, ele se colocou de joelhos entre as pernas de Wen Ning, apoiando as mãos no chão e inclinando-se para frente. Seus rostos ficaram tão próximos que Wen Ning podia sentir a respiração quente de Bai Renshu contra sua pele, fazendo-o se arrepiar.
— Então me beije – exigiu Bai Renshu, sua voz carregada de uma determinação quase feroz.
Wen Ning sentiu o coração acelerar, um misto de desejo e receio se agitando dentro dele. Ele recuou um pouco, quase se deitando sobre tronco, sem saber como reagir.
— Be-be-beijar? – gaguejou Wen Ning, surpreso pela súbita requisição.
Bai Renshu se aproximou ainda mais, pressionando Wen Ning contra o tronco caído. Suas mãos se firmaram ao lado de Wen Ning, uma de cada lado, aprisionando-o no lugar.
— Me beije, agarre-me, faça o que quiser comigo – Bai Renshu insistiu, sua voz agora soando desesperada. — Me beije e eu te provarei que sou o único com quem deveria se importar!
Havia mais apreensão do que desejo nos olhos dele, um temor profundo que parecia consumi-lo. Por um momento, Wen Ning considerou responder que atenderia ao pedido se Bai Renshu concordasse em voltar com ele para casa, mas se conteve, ciente de que tal exigência apenas complicaria a situação.
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O Legado da Carne
FanfictionDois anos após tornar-se independente de Wei Wuxian, seu antigo mestre, o ainda temido e odiado "General Fantasma" tornou-se um andarilho solitário que vagava o mundo eliminando monstros e sobrevivendo humildemente de pequenas recompensas. Enquanto...
