Cap. 97 - O tempo certo de ser

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Após Wen Ning ter concluído o seu minucioso relato, os boquiabertos jovens das seitas Jin e Lan arregalaram seus olhos e disseram em perfeito uníssono:

— O quêêê?

E mesmo com as cordas vocais fadigadas de proferir tantas palavras, o General lhes sorriu e respondeu:

— Sim, foi exatamente o que vocês ouviram: no final das contas, era apenas Bai Renshu falando com a voz fina. O danado era tão meticuloso em sua atuação, que até quando simulava uma risada, ela soava feminina! Só que havia um detalhe que naquele momento eu ainda não havia notado – quando ele ria de verdade, para que a sua risada não fosse reconhecida, ele mantinha os seus lábios bem fechados e acabava fazendo aquele som estranho em sua garganta. Somente mais tarde, quando eu refleti a respeito, é que eu fui me dar conta de que é impossível alterar a voz em uma risada sincera. Se eu estivesse ciente deste fato antes, provavelmente aquele mal entendido jamais teria acontecido...

Ainda em sua expressão assombrada, Lan Sizhui questionou:

— Mas, mas... e quanto ao corpo feminino?

— Bom, A-Yuan, sobre a cintura fina eu não sei dizer ao certo, porque apesar de o Renshu ter um corpo esbelto, ele tinha os músculos incrivelmente definidos, então talvez fossem as roupas volumosas e a faixa apertada em seu abdômen que criassem aquele tipo de ilusão... já quanto ao busto avantajado, penso que haja uma boa explicação para isto.

— E qual seria? - intrometeu-se Jin Ling.

Olhando alternadamente para ambos, Wen Ning respondeu:

— No dia em que eu tentei atraí-lo, eu usava as roupas que Bai Renshu havia me dado; era a mesma de quando ele me elogiou, dizendo que havia acabado de perder para mim o seu posto de Divindade Reluzente, portanto achei conveniente vesti-la. Quando eu acordei e percebi que eu estava usando roupas limpas e secas, fiquei muito envergonhado pelo fato de ter sido despido por uma estranha, então não me atrevi a tocar no assunto para perguntar o que havia sido feito com as molhadas. Mais tarde, quando as procurei pela casa e não as encontrei em lugar algum, eu ponderei: se o Renshu quisesse me livrar de algo que me trouxesse a sua lembrança e ao mesmo tempo ele próprio não conseguisse se libertar desta recordação, não seria esta a melhor oportunidade de fazer isso sem levantar tantas suspeitas? E do mesmo modo, que melhor lugar ele teria para esconder aquelas peças todas e ainda reforçar a ideia de que ele era uma mulher?

— Mas que demônio ardiloso! Foi como se ele tivesse abatido cinco coelhos com um só golpe – queixou-se o jovem Jin.

Após um suspiro lamentoso, Wen Ning comentou:

— Infelizmente sim, A-Ling... e para completar o meu desalento, a habilidade que ele tem de pensar rápido e reverter as adversidades a seu favor, só torna as coisas ainda mais complicadas para mim.

— Hm – concordou Lan Sizhui.

Erguendo suas sobrancelhas em estranhamento, Wen Ning perguntou:

— O que foi, A-Yuan? Por que está tão calado?

— Deixa ele, sênior – disse Jin Ling. — Sabe como é... o coitadinho acabou se tornando um Lan, no final das contas. De vez em quando ele se esquece que é capaz de se expressar como um ser humano normal e fica desse jeito aí.

Ignorando a provocação, Lan Sizhui disse para o tio:

— Não é nada, eu só estava refletindo sobre a astúcia de Bai Renshu.

— E você chegou a alguma conclusão?

— Sim. Anteriormente nós estávamos procurando por uma pessoa com cabelos pretos ou "ouro-prateados", mas a deusa tinha cabelos castanho-claros... Só que depois de analisar alguns aspectos – como a descrição "branco encardido" que Jin Ling fez sobre cabelos daquele adepto suspeito, por exemplo – agora eu penso que, talvez propositalmente, essa tonalidade possa variar.

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