Capítulo 45

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O inexperiente General engoliu em seco e o encarou apavorado, sem saber como reagir e sem nada conseguir verbalizar. Por um lado, ele desejava ardentemente que Bai Renshu avançasse, mas por outro, Wen Ning se sentia tão nervoso, inseguro e despreparado, que temia que num momento mais crucial, ele pudesse passar pelo vexame de precisar ser acudido ao desmaiar.
Embora Wen Ning conhecesse o histórico de Bai Renshu e tivesse a verdadeira ciência do quão perigoso e habilidoso ele era, o General não tinha dúvidas de que os sentimentos do cultivador o impediriam de atacá-lo de maneira cruel ou injusta. Contudo, a fúria lasciva expressa em seus olhos era tão real e incisiva que Bai Renshu parecia prestes a cumprir a ameaça de tomá-lo, ainda que de maneira mais branda do que dizia.

O cultivador arqueou-se sobre o corpo de Wen Ning, inalou profundamente o seu pescoço e vagarosamente lambeu toda a extensão de sua clavícula até a sua mandíbula. Depois, ele o encarou com um sorriso malicioso e falou com o rosto tão próximo ao do General que, dependendo das sílabas que ele articulava, os seus lábios ligeiramente se tocavam.
— Ora, ora, ora... já perdeu a sua linguinha afiada, General? Que tal se eu invadisse a sua boca e passasse a procurá-la com a minha? - ele murmurou de forma sarcástica e impudica.

Impedido de ocultar o seu rosto vergonhosamente com as mãos, o rubro General cerrou os seus olhos com força. E quando um longo corpo debruçou-se um pouco mais sobre o dele e o pequeno espaço entre seus lábios fechados foi levemente forçado pela ponta úmida de uma língua, um rijo volume foi desconfortavelmente pressionado contra sua barriga.
Wen Ning arregalou os seus olhos alarmados e sentiu-se igualmente amedrontado e extasiado. Ele queria vencer aqueles poucos milímetros que os separavam e ter a coragem de tocar aqueles atraentes lábios com os dele, mas o General estava tão ansioso e apavorado, que ficou completamente tenso e travado enquanto o seu corpo inteiro tremia.

Ao sentir o corpo de Wen Ning oscilar temeroso abaixo de si, Bai Renshu arrependeu-se de imediato e afastou-se com uma expressão bastante transtornada, num misto de culpa e de reprimido desejo.
— Me perdoe – disse o cultivador em uma voz soturna.

Bai Renshu sentou-se no extremo mais distante daquele perímetro, fechou os seus olhos e recostou-se na grade com a cabeça ligeiramente voltada para cima. Seu semblante, extremamente angustiado, evidenciava toda a tortura dos cruéis pensamentos que o afligiam.

Wen Ning aproximou-se do amigo, agachou-se ao lado dele e acariciou levemente o seu antebraço na tentativa consolá-lo. Em uma voz suave, porém um pouco preocupada, o General lhe disse:
— Renshu, calma... está tudo bem.

Bai Renshu permaneceu de olhos fechados, evitando encará-lo. Ele deu um suspiro lamentoso, afastou gentilmente a mão de Wen Ning e, claramente tentando conter a sua voz e suas expressões faciais, ele lhe disse da forma mais neutra que podia:
— Não, Wen Ning, não está tudo bem. Isso foi desrespeitoso e abominável. Você não merece ser tratado dessa maneira; não merece nada menos do que ser tratado com todo respeito, carinho e admiração que lhe tenho, mas que infelizmente sou degenerado demais para saber como demonstrar.

— Renshu, por favor, não se torture por isso. É perigoso pra você... Você sabe como eu sou, eu acabei ficando um tanto apavorado. Mesmo assim, eu... eu...
Wen Ning engoliu em seco.
"Eu queria muito que você continuasse" – ele queria dizer, mas não teve a coragem.

Bai Renshu virou o seu rosto para o lado e abriu os seus olhos, mirando diretamente a entrada da caverna. A luz da manhã refletiu no intenso verde de suas íris e sua expressão tornou-se bastante sombria. Após passar alguns instantes silenciosamente reflexivo, o cultivador finalmente falou:
— Está vendo por que eu digo que sou uma pessoa nociva? Eu sou um idiota imoral e impulsivo. A forma como eu ajo sequer tem relação com o que eu sinto de verdade por você.

— O q-que você se-sente por mim, então?

Bai Renshu ficou momentaneamente em silêncio, mas depois respondeu:
— Amizade.

— Ma-ma-mas você não faz essas co-coisas com os seus amigos, faz?

Bai Renshu ergueu suas sobrancelhas, abaixou ligeiramente a cabeça e olhou expressivamente para Wen Ning como se dissesse: "É sério que você está perguntando uma coisa dessas justamente pra mim?".

Wen Ning deu um suspiro resignado e depois disse:
— Desculpe, eu me expressei mal. Eu estava me referindo a conter os seus impulsos...
Wen Ning fez uma pausa, ficou extremamente vermelho e depois prosseguiu:
— Me-mesmo e-e-estando ó-óbvio que queria o contra-contrario.

Bai Renshu tornou a virar o seu rosto na direção da entrada da caverna, deu um suspiro conformado e respondeu:
— Minhas outras amizades são todas baseadas em interesse, eu não tenho mais ninguém que mereça tal consideração.

— Então eu... sou especial?
— O fato de você ter vindo aqui tentar ajudar um caso perdido como eu, já confirma que você é.

Wen Ning passou alguns momentos em silêncio, mas depois tomou coragem e perguntou:
— Mas eu sou muito especial para você?

Bai Renshu segurou as mãos dele, o olhou no fundo de seus olhos e lhe disse com toda a sua sinceridade:
— É tão especial pra mim, que eu mataria e morreria por você.

Wen Ning ficou corado e perguntou:
— Foi por isso que você matou aquela sua... amiga bonita, mesmo enquanto ela ainda era uma humana?

Ao lembrar-se de seu amado esfregando-se com aquela garota, Wen Ning não conseguiu conter a expressão de insatisfação que se formou em seu rosto. Entretanto, Bai Renshu, que já não possuía boa opinião sobre si mesmo, achou que Wen Ning havia ficado desse jeito porque desaprovava as suas atitudes, por isso soltou as mãos dele e afirmou de forma categórica:
— Sim. E eu não me arrependo de nada!

— Mas você não disse que gostava dela? 

O cultivador franziu o seu cenho e disse mal humorado:
— Eu gostava. Mas se formos comparar o quanto eu gostava dela com o quanto que eu gosto e me preocupo com você, seria o mesmo que comparar um grão de areia diante do oceano. Portanto, você pode me julgar o quando você quiser, mas eu não me arrependo!

Wen Ning sorriu com doçura, segurou delicadamente o rosto de Bai Renshu entre as mãos e lhe deu um demorado beijo na bochecha. Depois, ele lhe deu um abraço muito carinhoso e, acarinhando costas dele, disse com seu rosto meigamente apoiado no ombro do outro:
— É claro que eu não julgo você, querido Renshu. Eu provavelmente faria o mesmo no seu lugar.

Bai Renshu permaneceu tenso e estático enquanto o outro carinhosamente o abraçava. Ele prendeu sua respiração na inútil tentativa de controlar os seus batimentos cardíacos, passou a contar as estalactites do teto para distrair-se das palavras "querido Renshu" e do demorado beijo que recebera em sua bochecha, e com o seu rosto levemente corado, respondeu simplesmente um "ok".

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