Após desfrutarem de uma farta refeição, o Líder de Lanling Jin exigiu que Wen Ning e Lan Sizhui pernoitassem na Torre da Carpa.
Não encontrando relutância por parte de seus exaustos convidados, Jin Ling chamou os seus serviçais e ordenou em voz alta que preparassem dois quartos de hóspedes com banheiras preenchidas com água fumegante e ervas medicinais que auxiliassem no alívio das dores do corpo e do cansaço ocasionados pela fuga. Em voz baixa, ele pediu secretamente que adicionassem pétalas de rosas à banheira de Sizhui na vã esperança de receber algum tipo de convite.
Feito isto, o Líder Jin os levou pessoalmente até um confortável aposento comunal enquanto seus hóspedes aguardavam por suas respectivas acomodações.
Ao adentrarem, Lan Sizhui, que já estava bastante familiarizado com a residência de seu mais íntimo amigo, tomou a liberdade de acender a lareira e posteriormente sugeriu:
— Já que preencher as banheiras com água quente é uma tarefa demorada, que tal se o tio Ning usasse este meio-tempo para nos contar as suas últimas descobertas?
— Ótima ideia – disse Jin Ling, sentando-se em uma das requintadas poltronas que estavam posicionadas diante da lareira.
Depois, indicando outra poltrona para que seu sênior se sentasse, o Jin acrescentou de forma provocativa: "Quando você quiser, tio Ning" – fazendo cinicamente parecer que, por alguma razão, Wen Ning também era o seu parente.
Lan Sizhui o ignorou e virou-se para atiçar o fogo da lareira. Jin Ling, por outro lado, adquiriu uma fisionomia humilhada e arrependida, mas assim que notou as orelhas do amigo tão vermelhas quanto a brasa que ele revolvia, o Jin liberou o tenso ar que estava preso em seus pulmões e exibiu um sorriso satisfeito.
Enquanto Jin Ling observava Lan Sizhui, Wen Ning encarava seu anfitrião com seu semblante enfastiado, ao mesmo tempo que pensava: "Não seria mais simples admitir de uma vez que está caidinho por ele? Argh! O que eu faço com estes garotos?! Desse jeito A-Yuan acabará acreditando que aquele beijo não passou de uma brincadeira". E depois de revirar seus olhos ante aquela infantil provocação, o General sentou-se em uma das poltronas, aguardou até que Lan Sizhui fizesse o mesmo e depois começou:
— Bom, como vocês sabem, eu passei os últimos meses tentando investigar qualquer indício de que Bai Renshu estivesse vivo ou morto, só que enquanto o procurava, eu acabei me deparando com uma história bastante intrigante: existe uma lenda, a de uma entidade benfazeja. Um fantasma, herói ou divindade com cabelos tão claros, longos e esvoaçantes quanto as suas vestimentas e cujo gênero os relatos divergem, já que ele ou ela possui a compleição de um homem muito alto, mas usa uma máscara de aço polido com feições femininas.
— Ah! Acho que já ouvi falar dela – comentou Jin Ling. — Essa aí não é a Deusa da Luz?
— Deusa da Luz? – estranhou Wen Ning, com suas sobrancelhas franzidas.
— É! Deusa da Luz, Deusa que reluz... sei lá, alguma coisa nesse sentido! Ela é chamada assim porque usa uma máscara tão polida que reflete a luz feito um espelho. Não sei se é uma deusa marcial oficial ou apenas uma lenda, mas ela é bastante comentada em Yunmeng. Ouvi dizer que até fizeram-lhe um pequeno templo.
— Sim, é verdade, mas este templo está localizado numa área erma de Bailing, não em Yunmeng. Ainda assim é uma região bastante próxima... não me admira que os boatos tenham chegado até lá.
— Certo, mas o que uma deusa marcial teria a ver com o senhor Bai Renshu? - questionou Lan Sizhui, evitando chamá-lo de tio para que Jin Ling não o chacoteasse.
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O Legado da Carne
FanfictionDois anos após tornar-se independente de Wei Wuxian, seu antigo mestre, o ainda temido e odiado "General Fantasma" tornou-se um andarilho solitário que vagava o mundo eliminando monstros e sobrevivendo humildemente de pequenas recompensas. Enquanto...
