Cap. 111 - A volúpia de um general - parte III

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Nota: 

Dedico este capítulo à leitora Débora ( @Breybillins ), que magicamente teve a intuição de postar um comentário pertinente no EXATO momento em que eu refletia se valeria a pena concluir esta história.
Não fosse isso, eu provavelmente teria desistido.

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Recomposto e vestido, Bai Renshu retornou trazendo toalha, sabão, uma longa colher de bambu e roupas limpas. Desconfortável, respirou fundo, depositou os objetos sobre uma cadeira e, escondendo sob um sorriso a sua inquietação, levou suas mãos à cintura e disse tentando manter o seu tom casual:

— Ning, Wen Ning, Neném Ning, Wen Ning assustador, Wen Qionglin, General Fortinho, General Fantasma, Príncipe Mingjiun, Garanhão Fantasma ou qualquer outro que venha a despertar... Qual destes incontáveis seres sobrenaturais habita este sagrado corpo na atual circunstância?

Após um suspiro desgostoso, o General languidamente respondeu:

—  Wen Ning atrevido, provavelmente...

De rosto virado para o lado oposto da banheira e evitando aproximar-se em demasia, Bai Renshu selecionou dentre os objetos que trouxera a colher de bambu e uma espécie de sabão líquido que ele próprio havia preparado. Tenso, ele esticou o braço o máximo que podia, despejou o conteúdo do frasco na banheira e remexeu a água utilizando a longa colher com a cautela de alguém que manuseava em óleo quente alguma coisa fria. Depois, com uma rápida espiadela a fim de certificar-se de que a água estava turva o bastante para ocultar aquele desejável corpo, suspirou aliviado e somente então prosseguiu:

— Ahn... Devo acreditar que você ainda não chegou, err... aos finalmentes?

— Gozamos juntos, se é o que quer saber – respondeu o Wen. — Mas não da forma que eu gostaria...

— Mas não... err... melhorou nada?

— "Aliviou", por assim dizer. Mas eu sinto, bem... como eu posso explicar? É meio que... como se aquela sensação estivesse prestes a reacender.

— Hum... acho que entendi: é como uma casa em chamas.

— Casa em chamas?

Gesticulando com as mãos, o cultivador explicou:

— Muitas vezes, quando as grandes labaredas são extintas pelos baldes d'água, dá a impressão de que o fogo se extinguiu. Entretanto, se restarem brasas ainda acesas, o fogo retorna quando menos se espera.

Erguendo somente uma das sobrancelhas, Wen Ning questionou desconfiado:

— E como você sabe disso, Bai Renshu? Devo me preocupar que as suas desventuras culinárias possam incendiar esta casa com uma criança aqui dentro?

Talvez porque há anos anos não se sentia tão auspicioso, Bai Renshu considerou o questionamento muito engraçado e respondeu entre risos:

— Hahahaha! Não, não! Haha! É que eu estipulei uma meta pessoal de realizar ao menos dez benfeitorias por semana, por isso o ato de apagar incêndios já esteve entre elas, seu tolinho! Hahaha!

Lançando-lhe um olhar cortante, Wen Ning secamente rebateu:

— A troco de quê?

Contendo sua imprudente animação, Bai Renshu engoliu em seco e respondeu em um tom de voz solene:

— De tentar me redimir das coisas terríveis que eu já fiz, Ning. Certa vez você me disse que conquistou a sua própria redenção ajudando as pessoas, então eu resolvi seguir o seu exemplo. No início, confesso: eu o fazia apenas por obrigação. Mas depois, quando comecei a me habituar com as expressões de alívio, gratidão e felicidade naqueles rostos outrora desesperançosos, descobri que eu me sentia muito bem desta forma e que era realmente isso o que eu queria fazer.

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