Pouco depois do médico ter saído do quarto, uma jovem senhora esgueirou-se para dentro do recinto.
— Senhor Wen, o senhor está bem? - sussurrou a mulher, colocando a palma de sua mão alguns centímetros à frente de seus olhos assim que percebeu que Wen Ning estava descomposto.
O General virou seus languidos olhos na direção daquela voz, mas devido a sua visão estar turva, ele não conseguiu distinguir suas feições.
— Por favor... Ajuda... - disse o Wen, com uma voz fraca e rouca.
— Fique calmo, me enviaram aqui pra isso!
A mulher trancou a porta atrás de si e, mantendo a visão do corpo de Wen Ning bloqueada, ela aproximou-se da cama.
— Senhor Wen, o senhor se lembra de mim? Eu sou a moça sensitiva a quem o senhor salvou no ano passado. Eu quase fui apedrejada porque eu estava possuída por um espírito maligno, mas havia rapaz tentando impedir a multidão sozinho, então o senhor nos defendeu e depois ajudou a me libertar desse espírito. Lembra-se?
Wen Ning assentiu. A mulher corou um pouco e depois continuou:
— Eu, err... me casei com aquele rapaz. A família dele é daqui e viemos visitá-los. Há dias estou vendo uma movimentação estranha de garotos muito jovens entrando e saindo deste quarto e isso me deixou um pouco angustiada. Quando eu vi o senhor entrando e demorando muito pra sair, uma voz aqui dentro da minha cabeça ficou me dizendo a todo momento: "ajude-o, ajude-o, ele corre perigo, ajude-o", então eu achei melhor verificar.
Fazendo um esforço descomunal para que seus olhos não fechassem, Wen Ning deu um sorriso cansado e respondeu em uma voz fadigada:
— Sua intuição continua afiada...
E depois de uma tosse, ele adicionou:
— Fico feliz que vocês estejam bem.
Ainda mantendo sua visão respeitosamente bloqueada, a mulher ajoelhou-se diante da cama e perguntou:
— Senhor Wen, o que foi que aconteceu com o senhor?
— Eu fui drogado... e agora... talvez... envenenado...
— Calma, eu não vou deixar o senhor morrer.
— Eu não me importo... de morrer... mas por favor, não me deixe chegar assim do outro lado... eu preciso rever alguém... não quero ser recebido nesse estado...
A mulher virou o rosto para o lado e muito respeitosamente passou a fechar as roupas de Wen Ning.
— Obrigado... - disse o Wen, assim que ela terminou.
— Por nada!
A mulher pegou um frasco que estava ao lado da cabeça de Wen Ning e começou a analisá-lo. Depois disso, ela colocou o frasco diante dos olhos do General.
— Desculpe, estou lutando pra não perder os sentidos. Minha visão está embaçada, eu não consigo distinguir as palavras... - disse o Wen.
— Ah! Perdão. Está escrito "sonífero". Foi a última coisa que ele lhe deu?
Indeciso entre comemorar ou lamentar o fato de não ser veneno, Wen Ning respondeu "sim" de maneira bastante apática.
A mulher tentou erguê-lo, mas não conseguiu. Começando a ficar aflita, ela lhe perguntou:
— O senhor consegue andar? Eu enganei o doutor Yan, então ele não deve demorar a voltar. Há mesmo uma grávida naquele quarto, mas em breve ele descobrirá o engano.
— Eu estou paralisado, mas não importa... muito obrigado por arrumar as minhas roupas. Se você puder encontrar um veneno antes que ele chegue, eu...
— Não! Pelo amor de Deus, Senhor Wen, nem fale uma coisa dessas! Aguente só mais um pouquinho, eu vou chamar o meu marido pra te pegar. Enquanto isso, eu tentarei distrair o doutor pra que ele não volte tão rápido. Fique firme!
O General bem que tentou ficar firme, mas o efeito da droga era forte e seus olhos já haviam lutado para se manterem abertos por tempo demais. Instantes depois da mulher deixar o quarto, Wen Ning desfaleceu e caiu em sono profundo.
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O Legado da Carne
FanfictionDois anos após tornar-se independente de Wei Wuxian, seu antigo mestre, o ainda temido e odiado "General Fantasma" tornou-se um andarilho solitário que vagava o mundo eliminando monstros e sobrevivendo humildemente de pequenas recompensas. Enquanto...
