Cap. 8 - Sentimentos ocultos

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O General foi até o local indicado e surpreendeu-se com a enorme bagunça que encontrou. Ele procurou, entre os potes e frascos espalhados, por alimentos que ainda parecessem adequados para o consumo e em meio a muita comida e bebida estragada ou mal armazenada, ele conseguiu encontrar um fardo de arroz em bom estado, uma variedade de legumes parcialmente deteriorados cujas partes boas que ainda poderiam ser reaproveitadas, um embrulho sofisticado com especiarias ainda intocadas e dois peixes vivos que estavam dentro de um balde com água.

Wen Ning voltou até o outro cômodo e encontrou Bai Renshu ainda penteando meticulosamente os seus longos cabelos.

— Eu posso usar aqueles peixes? - disse o General.

Bai Renshu olhou em sua direção e respondeu de forma casual:

— Claro. Eu os ganhei da filha de um pescador, mas nunca recebi peixes vivos antes, então eu não sabia como prepará-los.

De repente, os lábios de Bai Renshu se curvaram de maneira sutil, como se algo divertido estivesse passando pela sua cabeça.

Wen Ning deu um suspiro consternado e pensou: "Pronto! Lá vem besteira..."

O cultivador parou de se pentear, depositou o pente sobre a mesa, deslizou suas mãos lenta e sugestivamente pelo próprio corpo e disse de maneira sensual e propositalmente feminina:

— Você pode usar TU-DI-NHO o que você quiser, bonitão...

Ao terminar a frase, ele mordeu os lábios e lhe deu uma piscadinha.

"Sabia! Ele não toma jeito mesmo..." - pensou Wen Ning, enquanto revirava seus olhos em sinal de aborrecimento e voltava para a cozinha. Ele escutou a gargalhada do cultivador enquanto se afastava, mas já estava se habituando àquela personalidade travessa e preferiu ignorá-lo.

O General olhou para aquela bagunça, arregaçou suas mangas e pensou: "Certo, primeiro eu preciso dar um jeito nesse lugar".

Ele limpou, com esmero, todas as superfícies e materiais que utilizaria para preparar a comida, jogou fora tudo o que estava se estragando, varreu todas as cinzas e uma ratazana queimada de dentro do rústico fogão a lenha, acendeu suas chamas com as madeiras cortadas que encontrou espalhadas pelo chão da cozinha e depois ele lavou, cortou e temperou os alimentos que levaria para o fogo.

Enquanto os alimentos cozinhavam, ele descartou todo o lixo em um lugar apropriado do lado de fora da casa e terminou de limpar e organizar toda a cozinha.

Quando comida finalmente ficou pronta, Wen Ning arrumou caprichosamente a louça, um jarro de vinho e a apetitosa refeição sobre a mesa da cozinha. O General alinhou as cadeiras de madeira, colocou as mãos em sua cintura, olhou ao redor da cozinha limpa e brilhante e contemplou com orgulho o fruto de seu trabalho duro.

"Quem diria que por trás daquele caos existiria uma cozinha tão charmosa!"
- ele pensou.

Wen Ning voltou ao lugar onde Bai Renshu se encontrava, deu três batidas naquela porta aberta e declarou com animação:

— O jantar está na mesa!

Quando Wen Ning olhou para Bai Renshu, ele estava aguardando sentado com seu cabelo preso em um longo rabo-de-cavalo e decentemente vestido em um traje recatado e completo. Assim que avistou o General, Bai Renshu se colocou imediatamente de pé e seus lábios se abriram em um raríssimo e sincero sorriso. Wen Ning não conseguiu resistir àquela reação encantadora e lhe sorriu afetuosamente de volta.

— Eu estava sentindo um cheiro tão nostálgico e gostoso vindo da cozinha, que eu não pude deixar de pensar que esse jantar merecia um apreciador mais digno - disse o cultivador com simplicidade, sem nenhum traço de sua habitual ironia.

Wen Ning o conduziu até a cozinha. Quando os dois se sentaram à mesa, Bai Renshu perdeu alguns longos minutos observando cada detalhe daquele charmoso ambiente.

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