Cap. 119 - A Bela Flor - parte II

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Um suspiro cansado escapou dos lábios de Wen Ning, como se carregasse consigo todo o peso do dilema que o acometia. A impossibilidade de viver com o ser amado, ao mesmo tempo que ambos permaneciam acorrentados ao mesmo sentimento poderoso, pesava sobre seus ombros, deixando-o exaurido, sem energias. Em meio ao caos de seus pensamentos, ele ansiava desesperadamente por encontrar uma solução que não traísse seus próprios princípios, mas a resposta permanecia impraticável e implacável.

Sem encontrar palavras para expressar a complexidade de sua angústia, Wen Ning aproximou-se de Bai Renshu, buscando conforto na presença que em breve não teria. Com um gesto tímido, quase pueril, ele apoiou a testa no peito do outro e segurou firmemente as vestes dele, como se temesse que, ao soltá-lo, seu mundo desmoronaria.

Bai Renshu o envolveu com seus braços, acolhendo-o em um abraço protetor. Preocupado, porém respeitoso, não quis pressioná-lo a falar sobre o que o incomodava. Em vez disso, ele afagou as costas de Wen Ning e depositou um beijo carinhoso em sua cabeça, preferindo demonstrar, com seus gestos, o quanto ele se importava.

Entretanto, Wen Ning sentia que devia a Bai Renshu algumas palavras após este último ter aberto seu coração.

"Renshu, eu..." – ele começou a murmurar, mas junto com o choro que engolira, suas palavras se tornaram sufocadas.

Captando a essência dos sentimentos não ditos, Bai Renshu exalou um suspiro pesaroso e completou pelo outro:

— Também me ama, eu sei, mas sente que ao meu lado não é o seu lugar.

O General não concordou, mas tampouco discordou. Apenas soluçou, libertando-se da dor que há tempos represava. Cansado de reprimir o que sentia, ele chorou copiosamente, desabafando entre lágrimas:

— É muito difícil de aceitar que um elo tão forte tenha sido quebrado por uma simples criança! 

Bai Renshu segurou-o com delicadeza, permitindo que as lágrimas dele se derramassem livremente. Vê-lo naquele estado também o fazia ter vontade chorar, mas segurou-se, acariciando suavemente os cabelos de Wen Ning e transmitindo-lhe todo o conforto que podia. Com um tom de voz baixo e afável, Bai Renshu o consolava e aconselhava, dizendo:

— Não pense assim, por favor. Eu entendo sua mágoa por eu ter me escondido, mas Meilin não teve culpa de nada. Ela é apenas uma criança inocente, não podemos responsabilizá-la pelos eventos que ocorreram.

— Eu sei que a criança não tem culpa, mas não posso evitar de pensar que as coisas seriam mais fáceis se ela não tivesse nascido - respondeu Wen Ning, com a voz chorosa.

Bai Renshu suspirou, buscando as palavras certas para explicar suas ações passadas.

— Certamente seria mais fácil, mas não necessariamente o mais agradável, uma vez que não estaríamos vivos - ele disse.

— O que você quer dizer com isso? - perguntou Wen Ning, ainda com a voz embargada.

Apertando Wen Ning contra o próprio corpo, como se de repente também necessitasse de seu apoio, Bai Renshu iniciou sua explicação:

— Naquela época, eu ainda não sabia nada sobre o vínculo de nossas almas. Eu havia recém-descoberto coisas monstruosas que diretamente me afetavam, feito coisas terríveis, me vingado por meses das formas mais cruéis e desumanas, enfim... tudo me levava a crer que eu fosse um ser amaldiçoado, repulsivo, condenável... um protótipo de ser humano falho, ruim e descartável, alguém que, por nunca ter sido ajudado ou protegido, sequer na mais tenra infância, era indigno até mesmo da clemência divina.

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