Capítulo 43

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A luz de uma chama se aproximava, projetando a longa silhueta de um homem no chão.
De repente, uma voz profunda e ligeiramente rouca resoou bastante próxima, para o desespero do assustado General.
— Wen Ning, olhe para mim - pediu a voz, de maneira súplice e soturna.

Wen Ning mantinha-se agarrado à rústica parede da caverna feito uma lagartixa, espremido contra a mesma quase como se pudesse ser capaz atravessá-la. Em um tom de voz deveras apavorado, ele respondeu:
— Oqueoqueoqueoque o q-que vo-você está pretendendo co-com isso, Ba-bai Renshu?

— Se acalme - respondeu Bai Renshu. — Eu já cobri o essencial. Eu preferia não ter que te mostrar, mas para que você me compreenda, infelizmente eu precisarei que você veja algumas coisas com seus próprios olhos.

O General inspirou e expirou algumas vezes enquanto mentalmente se dizia: "Calma,Wen Ning... respira... você já o viu na banheira, não é como se ver esse corpo lindo e escultural, fosse alguma surpresa..."
Wen Ning lentamente virou-se na direção dele e o espiou. Bai Renshu havia amarrado o hanfu que ele lhe dera em sua cintura, com a maior parte da peça cobrindo sua parte traseira e as largas mangas cobrindo sua parte da frontal, deixando suas musculosas coxas à mostra. Ele havia se abaixado para colocar a tocha no chão, mas assim que reergueu-se, Wen Ning virou-se novamente apavorado.

"QUE HOMEM É ESSE, MEU DEUS?! DE QUE DIMENSÃO SAIU ISSO TUDO???" - pensou o Wen, enquanto discretamente se abanava.
Disfarçando seus surtos internos, Wen Ning pigarreou, engrossou a voz da forma mais máscula que conseguiu e disse em um tom de voz bastante sério e grave:
— Você tinha razão, a imagem pode ser forte demais para alguém como eu. É melhor eu não olhar para esses... ferimentos.

Embora a situação fosse tensa, Bai Renshu não pôde evitar de achar graça da tentativa de Wen Ning de parecer mais machão. Depois de rir um pouco, ele disse de uma maneira um pouco menos soturna:
— Ning, fique tranquilo, será rápido. Eu não tentarei nenhuma gracinha, eu te prometo.

"Isso é pra eu comemorar ou pra lamentar?" - pensou o Wen, enquanto respirava fundo e se virava com demasiada tensão.

Bai Renshu deu um sorriso abatido quando o outro finalmente aceitou olhá-lo. Virando-se de costas, ele afastou seus cabelos movendo todos os fios para a parte frontal de seu corpo e lhe falou:
— Você disse que não eu não tenho ideia da dor que seria morrer queimado, certo? Então, veja só: acho que eu tenho uma alguma ideia sim...

Maculando aqueles músculos bem definidos e a sua pele alva e perfeita, havia uma profunda marca de queimadura em suas costas.

Consternado com o que vira, Wen Ning esqueceu-se de seus medos tolos, levou as mãos aos lábios em um gesto de espanto e disse em uma voz perplexa:
— Como foi que isso aconteceu?

Ainda mantendo-se de costas, Bai Renshu respondeu:
— É uma história bem estúpida, na verdade...
Ele riu um pouco, fazendo com que suas costas se movimentassem e seus músculos se alasassem e retesassem. Então ele continuou:
— Eu havia cortado uma árvore e estava recolhendo os pedaços de madeira para... enfim, para que uma pessoa pudesse se beneficiar do calor do fogo. Eu estava com calor, então prendi meus cabelos em um coque alto e fiquei apenas com a fina túnica que havia sob meu traje. Eu estava abaixado e, quando os primeiros raios de sol apareceram e tocaram as minhas costas, eu comecei a sentir uma dor insuportável. Como o sol ainda não havia se colocado inteiramente no horizonte, eu me cobri com o traje mais pesado e corri para me beneficiar das sombras que minha casa projetava. Eu lavei o ferimento para que não infeccionasse, me cobri com mais algumas peles que estavam guardadas no estábulo, descartei, no meio do caminho, aquela peça que havia se ensopado de sangue depois que o ferimento se abriu e me embrenhei na floresta em busca de um abrigo seguro antes que o sol aparecesse por completo.

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