A expiração morna e suave e a aspereza daquela barba por fazer, eriçaram a pele e a libido de Wen Ning em aliciante sinergia. Lábios contraídos e rijos, que sutil umidade deixavam no dorso de suas mãos, o faziam devanear sobre a sensação de ser beijado em suas zonas mais erógenas. Joelhos apoiados no chão, bem como o rosto daquele belíssimo homem perigosamente próximo ao seu falo, proporcionavam-lhe o ardente desejo de que Bai Renshu estivesse prestes a saboreá-lo.
Travando simultaneamente um embate mental para conter-se, Wen Ning cerrava seus olhos e buscava reviver em sua memória os seus dias mais sombrios. Entretanto, no momento em que Bai Renshu encerrou a sua ingênua sessão de tortura e encarou as mãos que beijara em introspectivo silêncio, Wen Ning cogitou segurá-lo pelos cabelos e implorar para que os lábios dele avançassem além do que o cultivador pretendia.
De bochechas levemente coradas – o que não era de seu feitio – Bai Renshu colocou-se de pé e sutilmente perscrutou:
— Suas mãos estão bastante suadas... Você está se sentindo bem?
Sacando o leque que havia comprado, Wen Ning virou-se de costas e abanando-se, respondeu:
— Sinto apenas calor. E mais recentemente, um pouco de vertigem.
"E luxúria. Uma absurda, indesejada e inapropriada luxúria. Tão abusiva e opressora, que tive que pensar nos gritos da minha irmã sendo queimada para que eu pudesse me controlar" – pensou o General, mas não disse.
— Hum... talvez você esteja ficando doente – sugeriu Bai Renshu.
Wen Ning então ponderou: "O Renshu de minutos atrás ficaria mortalmente preocupado se pensasse que estou doente, mas agora eu só o sinto ansioso. Ele sabe o que o que eu senti, é claro que ele sabe, mas milagrosamente está sendo discreto. Droga... O que será que ele está planejando? Não saber o que ele pensa é ainda mais desconfortável do que quando ele me provoca".
Não obstante, Wen Ning apenas retrucou:
— Não acho que eu esteja adoecendo. Acho mais provável que seja efeito da bebida que A-Ling me deu.
Momentaneamente esquecendo-se de que o General era capaz de captar o que sua atuação ocultava, Bai Renshu abriu um sorriso simpático e gracejou:
— A-Ling? Hum... lembro-me que minha mãe era chamada assim por algumas senhoras, mas acho um tanto difícil que você tenta conseguido fazer amizade com a antiga proprietária da sua casa.
"Quem é a vagabunda?!" – paralelamente ele pensou.
"Seu bobo! Tá bebendo vinagre por quê? Eu fiz sim! Inclusive foi ela que me ajudou a te encontrar" – pensou o General, mas em lugar disso, tornou a virar-se para Bai Renshu e limitou-se a dizer:
— Eu estou me referindo ao Líder Jin.
— Err... Eu deixei passar alguma coisa? Vocês não eram... ahn... inimigos ou coisa do tipo?
— Não mais. Ele compreendeu que a morte do pai dele não aconteceu por minha vontade e nos tornamos amigos. Achei até que você soubesse... Afinal, foi você que o ajudou a sair daquela masmorra, não foi?
Após emitir um longo suspiro que concomitantemente exprimia o seu desgosto e resignação, Bai Renshu respondeu:
— Foi... Eu só pressinto o seu risco de morte e como eu passo muito tempo enfurnado dentro de casa, a notícia de que você estava preso demorou a chegar aos meus ouvidos. Eu corri para libertá-lo assim que eu soube, mas quando consegui me infiltrar, toda aquela confusão já estava armada. Eu só facilitei a fuga do Líder Jin e da cadela porque antes ele havia te ajudado, mas para ser sincero, eu só achei que ele tivesse feito isso porque A-Yuan havia ordenado.
— "A-Yuan"?
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O Legado da Carne
FanfictionDois anos após tornar-se independente de Wei Wuxian, seu antigo mestre, o ainda temido e odiado "General Fantasma" tornou-se um andarilho solitário que vagava o mundo eliminando monstros e sobrevivendo humildemente de pequenas recompensas. Enquanto...
