Capítulo 46

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Após dar um beijo no ombro de seu amado, Wen Ning finalmente o libertou de seu abraço e colocou-se de pé, mas quando o General estava prestes a afastar-se, o cultivador segurou mão dele e o impediu.

— Aonde você vai? - perguntou Bai Renshu, abaixando suas expressivas sobrancelhas e formando uma expressão digna de pena.

Wen Ning sorriu e arqueou o seu tronco apenas o suficiente para dar nele um beijo na testa. Acariciando a cabeça do cultivador com sua mão livre, ele lhe disse:
— Eu vou cuidar de você. Te aquecer, te alimentar e te trazer água.

— Não, espera! Eu... eu acabei não te abraçando de volta. Desse jeito você pode pensar que eu não gosto de você... - disse o Bai, erguendo-se com um semblante arrependido.

Wen Ning o auxiliou a se levantar através da mão que ele já segurava e lhe disse:
— Está tudo bem, Renshu, você não precisa se preocupar em fazer isso agora.
O General olhou de viés para o chão e depois adicionou com o semblante vermelho e envergonhado:
— Na verdade, você tem a permissão de me abraçar sempre que quiser...

Bai Renshu puxou Wen Ning para um novo abraço e lhe disse:
— Não, isso definitivamente não daria certo.

— Por que não?
— Porque o problema não seria ser sempre que eu quisesse e sim querer sempre.

Wen Ning ficou envergonhado e respondeu apenas "hum".

Ainda abraçado ao outro, Bai Renshu continuou:
— E nesse caso, eu teria que viver eternamente colado a você e não poderia soltá-lo nunca mais!
— Bo-bom, não é co-como se eu fosse achar is-isso ruim...
— Não? Tem certeza? Pois imagine você lá, sentadão, atendendo ao inevitável chamado da natureza e um cara no seu colo, pendurado no seu pescoço, lhe dizendo: "Caramba, Ning! Que pestilência é essa?! Cê tá parindo um defunto? Nunca mais te deixo comer aquele ensopado..."

Imaginando tal cena deplorável, Wen Ning apoiou a testa no ombro do outro, deixou seus braços penderem e riu daquela tolice até o seu corpo ficar mole. Em seguida, ele segurou o pescoço de Bai Renshu sem apertá-lo e o chacoalhou de levinho enquanto dizia em uma voz falsamente nervosa entre risos:
— Arrrgh, Renshu! Aff! Eu não sei se eu te adoro ou te esgano por você ser tão anticlimático!

— Adorar! A resposta é sempre me adorar! Embora eu não exclua a outra possibilidade também, dependendo das suas preferências em determinadas situações... - disse o Bai, erguendo e abaixando sugestivamente as sobrancelhas seguidas vezes, enquanto oferecia ao outro um sorrisinho bem sacana.

— Seu bobo! - reclamou o Wen, virando-se de costas para ocultar sua face rubra e envergonhada.
Seu fofo! - retrucou o Bai em uma proposital voz de criança, subitamente abraçando-o por trás e roubando-lhe um estalado beijo no rosto.

Sentindo-se um pouco mais encorajado pelo fato de estar de costas e de isso lhe dar a vantagem de não ter que encará-lo, o envergonhadíssimo Wen tomou a iniciativa de pousar seus braços sobre os braços que o agarravam e passou a acariciá-los de um modo bastante romântico. A forte pulsação cardíaca que ele sentia em suas costas, começou a se agitar de maneira ainda mais acentuada.
O apreensivo Bai Renshu tentou imediatamente soltá-lo, mas Wen Ning, que já havia perdido o suficiente de sua face, decidiu segurar os braços dele com firmeza e o cultivador resignou-se a persistir no lugar.
Quando Wen Ning voltou a acariciá-lo daquela forma, o hesitante Bai Renshu tencionou encostar e desencostar o seu rosto no ombro dele várias vezes. Minutos mais tarde, encorajado pelas doces e insistentes carícias do General, o cultivador finalmente cedeu à própria vontade, soltou o peso de sua cabeça sobre o ombro do outro e se permitiu aconchegar-se timidamente ali.
Os dois adultos estavam pateticamente tensos e inseguros feito dois adolescentes - um por inexperiência e o outro por medo do desconhecido. Mas apesar das mãos suadas, do silêncio constrangedor que os cercava e de seus rostos ardendo como chamas, a felicidade daqueles dois tolos por terem se permitido conceder aquele sutil primeiro contato intencionalmente romântico, era igualmente imensurável.

Embora a diferença de altura entre os dois tornasse a posição bastante confortável para ambos, após permanecerem algum tempo abraçados, o corpo de Renshu começou a vacilar. Ao perceber, Wen Ning sentiu-se um pouco egoísta, afinal, o cultivador ainda estava bastante debilitado e já não era a primeira vez que ele não aguentava permanecer em pé por muito tempo. Apesar disso, quando Wen Ning tentou desvencilhar-se, dessa vez foi Bai Renshu que parecia relutante em querer soltá-lo.
Wen Ning levou uma das mãos para trás, acariciou os cabelos dele com ternura e lhe disse em uma voz carinhosa:
— Hum... Renshu, eu adoro estar com você, mas eu já me demorei demais... Estou preocupado com você, então estou indo buscar as coisas que você precisa, está bem?
— Ahn... err... está bem... - respondeu o Bai, numa voz estranha.

Bai Renshu o soltou e Wen Ning o ajudou a acomodar-se sentado apoiado nas grades. Depois, o General pegou o seu próprio hanfu que estava no chão e cuidadosamente cobriu o cultivador com ele.
Após se permitirem o contato romântico, o clima entre os dois aumentou consideravelmente. Quando Wen Ning terminou de cobri-lo, os dois entreolharam-se hipnotizados e seus rostos atraíram-se feito ímãs. Seus olhos mutuamente se semicerraram e suas bocas quase se tocaram, mas quando se deram conta do que estavam fazendo, ambos vergonhosamente se esquivaram e ainda não foi dessa vez que os dois tolos tiveram a coragem de se beijar.

Assim que Wen Ning virou-se para sair, Bai Renshu o segurou mais uma vez pela mão e lhe disse:
— Ning, espera! Err... desculpa te segurar de novo, mas eu queria te dizer uma coisa antes...

Wen Ning agachou-se ao lado de Bai Renshu, ajeitou uma mecha de cabelo atrás da orelha dele, sorriu e lhe falou:
— Você pode me dizer tudo o que quiser.

Bai Renshu virou o seu rosto de lado e murmurou, pensando alto:
— Eu ainda quero trucidar aquela pessoa maldita...

Wen Ning não teve certeza se havia entendido direito e perguntou assustado:
— Como?!

Bai Renshu levou um susto ao perceber que havia dito essa parte indesejável em voz alta e rapidamente se corrigiu:
— Nada! Eu disse, err... que eu ainda quero elucidar algumas coisas que não foram ditas!

— Ah! Diga, então. Pode falar.

Bai Renshu massageou suas têmporas com uma expressão dolorosa e lhe disse:

— Certo. Então, ahn... err... eu vou falar de uma vez, está bem? Me deixe apenas tentar organizar meus pensamentos um segundo. E quando eu começar, não me interrompa, por favor, senão eu não sei se eu conseguirei terminar...

Wen Ning ficou um pouco preocupado, mas não quis deixar transparecer. Ele passou a acariciar os cabelos dele porque sabia que isso o acalmava e se limitou a concordar com a cabeça enquanto aguardava o outro pensar no que iria dizer.

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