Cap. 117- Ao seu lado

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Uma agradável brisa matinal fluía através da janela aberta, trazendo consigo o aroma adocicado das frutas maduras e a fragrância revigorante das ervas. Raios solares banhavam delicadamente o recinto, transformando as diminutas partículas de poeira suspensas no ar em uma dança sutil e etérea. 

O murmúrio suave de um rio reverberava no ambiente; a correnteza constante deslizando pelas pedras e margens, enquanto cigarras, grilos e pássaros entoavam diferentes melodias. Não obstante, cada sonoridade única entrelaçava-se de maneira harmoniosa, preenchendo o ar com uma sinfonia bela, natural e pacífica.

Ainda que tantos elementos contribuíssem para uma atmosfera deleitável, essa sublime serenidade parecia desvanecer-se perante a expressão aflita e constrangida de um homem. Seu olhar ansioso buscava incessantemente o do companheiro sentado ao seu lado, suplicando por um pouco de compreensão e empatia.

— Ma-ma-mas é sério, Renshu – ele tentava argumentar, sua voz carregada de uma preocupação desnecessária. — M-meu coração batia de forma des-des-descompassada! Eraeraera... era uma taquicardia monstruosa!

Bai Renshu suspirou, permitindo que um sorriso sutil e enigmático se formasse em seus lábios. Seus olhos, embora atentos à movimentação de Wen Ning, pareciam somente contemplar as partículas que cintilavam sob a luz solar com uma tranquilidade inabalável. 

— Percebe agora por que tive que evocar a minha mestra? - indagou o Bai, ocultando o seu cinismo. — Ela é realmente uma médica incomparável... 

— P-por que você diz isso? - perguntou o Wen, inseguro se deveria incentivar aquela conversa. Sua concentração se voltou para emoções do outro, sem encontrar qualquer vestígio de sinceridade.

— Oras - continuou Bai Renshu, agora com um sorriso de escárnio. — Não percebe o que mulher de vermelho fez por você? Somente uma médica da mais alta categoria poderia curar um mal tão terrível com uma simples taça de vinagre!

— Renshu, não brinque! - exclamou o outro, sentindo-se cada vez mais tolo e desacreditado. — E-eu juro pra você, era... era uma palpitação extremamente acelerada e violenta! Pareceria que eu ia explodir de dentro pra fora!

— Err...

"Parece até que ele está descrevendo como eu me sinto", ponderou Bai Renshu, deixando escapar uma leve expressão desconcertada.

— O que foi? – indagou Wen Ning, curioso com a súbita hesitação de seu parceiro. Ele inclinou-se ligeiramente na direção de Bai Renshu, buscando compreender o que aquela fisionomia significava.

— Ahn... Nada! – Bai Renshu respondeu rapidamente, seus olhos buscando refúgio em algum ponto distante. — Alguma vez você já sentiu algo assim antes?

"Não, nunca!", respondeu Wen Ning, categoricamente. Em seguida, com o rosto ruborizado, ele acrescentou timidamente:

— Quer dizer... existe alguém que faz meu coração bater m-muito rápido, mas... nu-nu-nunca desse jeito!

Entretanto, imediatamente após ter se pronunciado, o General sentiu-se um grande idiota. Envergonhado pela própria falta de discernimento, seu olhar desviou-se para o colchão em que estava sentado enquanto ele repreendia-se em silêncio: "Que droga de flerte foi esse, Wen Ning? Ele é casado... e tem até uma filha! Você perdeu completamente o juízo?". 

Bai Renshu, por sua vez, reposicionou-se sentado de frente para o Wen. Com seu coração acelerando-se em uma mistura de medo e ansiedade, ele segurou as mãos dele e perguntou cautelosamente:

— Permitiria, meu venerado, que este humilde servo descobrisse a identidade da pessoa que faz seu nobre coração pulsar com tamanha celeridade?

Com as bochechas agora em chamas, Wen Ning rapidamente retirou suas mãos das de seu galanteador companheiro. Ignorando o ligeiro desconforto que surgiu em seu peito, ele decidiu responder com uma meia-verdade:

O Legado da CarneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora