Depois da declaração de amor mais malcriada – e ao mesmo tempo, mais linda – que Wen Ning sequer se atreveu a sonhar que um dia ouviria, ele ergueu-se profundamente emocionado com seus olhos cheios de lágrimas.
Quando viu que seu amado estava prestes a chorar, Bai Renshu tornou-se extremamente pálido e ficou tão apavorado que suas pernas travaram no lugar. Sem saber o que fazer, o cultivador disse desesperado:
— Ai, não! Nãonãonãonãonãonão! Amor! Por favor, amor, não chora! Eu fui muito grosso, né? Eu sou mesmo um idiota! Por favor, por favor, me perdoa, Ni-
Todavia, antes que o cultivador conseguisse completar a sua frase, Wen Ning correu até ele, se atirou em seus braços e o beijou.
Bai Renshu arregalou os seus olhos em absoluta surpresa. Tornar a sentir, subitamente, o toque macio daqueles lábios, fez com que seu coração quase fosse parar em sua garganta.
Almejando-o demais para conseguir afastá-lo, Bai Renshu sentiu sua força de vontade ser aterradoramente extinguida e nada foi capaz de fazer além de correspondê-lo. Cedera então a todo o desejo contra o que ele havia lutado nas últimas horas. O cultivador fechou os seus olhos, o envolveu em seus braços, inclinou levemente o seu rosto para o lado e retribuiu aquele beijo com voracidade, sentindo todas as suas aflições se dissolverem em paixão.
As brigas, a raiva, as dores, os problemas, tudo caiu por terra. Nesse momento, eles só demonstravam o que tinham de melhor: a ternura de Wen Ning, a devoção de Bai Renshu, a mútua inocência de um sentimento nunca antes experimentado nesta vida e a pureza de duas almas que se amavam inobstante do gênero que seus corpos possuíam.
O beijo entre eles representava muito mais do que uma simples troca de carícias. Era um ato de amor acumulado, intenso, intrínseco e profundo; um sentimento avassalador, persistente e atemporal e que não poderia ser descrito apenas em palavras.
Sim, atemporal... Porque este encontro de almas já havia acontecido muitas vezes antes. As mesmas duas pessoas que já tiveram outros nomes, outros rostos, outras etnias, outros sexos e outras orientações e que nesta existência eram dois corta-mangas chineses chamados Wen Ning e Bai Renshu, não desfrutavam de tal conhecimento enquanto transitavam pelo plano terrestre, mas apesar de todas as adversidades e desencontros, no mais profundo limiar de suas essências, eles sempre se reconheciam.
Este era um amor trágico, reincidente e desmedido que perdurara por eras e que a cada separação e reencontro, nunca diminuía, apenas crescia. Todavia a maldade fatídica que várias vezes os impedira de se amarem no passado, também reencarnava e portanto, por esta infelicidade do destino, os eternos amantes jamais puderam ficar juntos pelo tempo que queriam.
As chamas da fogueira diminuíram, mas as da paixão ainda perduravam. Um longo tempo já havia se passado, mas o tão esperado beijo era interrompido apenas por pequenas pausas para recuperarem seus fôlegos e em seguida recomeçava.
De maneira muito gentil e generosa, o experiente cultivador tomou o domínio sobre a boca do inexperiente general. Como se estivesse diante de algo muito frágil e precioso, Bai Renshu amparou o rosto de seu amado entre as mãos, entreabriu delicadamente os lábios dele com a força dos seus e de maneira bem lenta e suave, passou a tocar a ponta da língua do General com a sua.
Sempre que Wen Ning se habituava aos novos movimentos e começa a copiá-lo, o cultivador tornava-se gradativamente mais audaz e aumentava o ritmo e a intensidade com que sua língua se movimentava. Pouco a pouco, a começar por suaves movimentos circulares, acompanhados de muito romance e carícias e depois passando a um roçar de línguas mais ardente acompanhado de vigorosos amassos, a língua de Bai Renshu avançou até explorar cada centímetro do úmido, macio, adocicado e mui desejado interior daqueles lábios.
Wen Ning se sentia extasiado. Sua mente divagava e seu corpo estava totalmente à mercê do beijo doce, da língua úmida e das mãos hábeis daquele homem que apaixonadamente o conduzia. Naquele momento, tanto para Bai Renshu, quanto para Wen Ning, nada mais existia além dos dois, do enlace apaixonado de seus corpos e de todo o amor imensurável que os envolvia.
Em certo momento, Wen Ning esvaziou a sua mente e concentrou-se apenas em seus sentidos: o agradável cheiro da pele que o inebriava, a umidade de sua saliva, a textura firme e macia de seus lábios, o escorregadio do deslizar de suas línguas, o barulho molhado e excitante do encontro de suas bocas, a respiração que lhe fazia um pouco de cócegas toda vez que ele expirava, o toque quente de suas mãos, o sabor adocicado da boca dele... tudo, cada mínimo detalhe deste mágico primeiro beijo – ou pelo menos o primeiro que realmente importava – merecia ser minuciosamente percebido e registrado em sua memória.
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O Legado da Carne
FanfictionDois anos após tornar-se independente de Wei Wuxian, seu antigo mestre, o ainda temido e odiado "General Fantasma" tornou-se um andarilho solitário que vagava o mundo eliminando monstros e sobrevivendo humildemente de pequenas recompensas. Enquanto...
