Cap. 118 - A Bela Flor - parte I

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Bai Renshu comprimiu os lábios, lutando para conter os ruídos abafados que deles ameaçavam escapar. Sua garganta apertava, a respiração ofegava; lágrimas teimavam em querer se formar.

Apesar de seus esforços para manter as aparências, o furor em seu peito se denunciava de forma escancarada. Com Wen Ning abraçando-o, expressando o quanto o apreciava, seus sentimentos por ele bramiam como uma fera indomada.

Enquanto Wen Ning descansava a cabeça no tórax de Bai Renshu, desfrutando de um momento de aconchego, seu coração deu um salto doloroso e começou a agitar-se, como se quisesse escapar de seu peito em uma fuga desenfreada. Intrigado e assustado, percebeu que cada batida frenética ressoava em seu ouvido, como se o seu próprio coração reagisse a todo caos que o de Bai Renshu experimentava.

Em passos vacilantes, Wen Ning afastou-se daquela balbúrdia e apoiou-se em uma árvore próxima. Com uma mão sobre o tronco áspero e a outra sobre seu peito alvoroçado, ele parecia sufocado, dizendo enquanto arfava:

— Por... todos... os deuses, Renshu! Essa coisa... horrível... está vindo de você?! 

Bai Renshu conduziu Wen Ning para dentro, até a poltrona, e o ajudou a se sentar. Depois de buscar um pouco de água, estendeu o cálice na direção de Wen Ning, explicando:

— Não é comum que sensações físicas sejam transmitidas em uma situação como a nossa, mas temo que meus sentimentos sejam tão intensos que, de alguma forma, acabei transferindo parte do que eu estava sentindo para você.

Enquanto Wen Ning bebia a água com uma expressão alarmada, Bai Renshu abriu um sorriso sem graça e, num tom de voz desconcertado, como quem pedia desculpas, acrescentou:

— "O Deus do exagero", lembra-se? Não que este título me deixe exatamente orgulhoso...

Após esvaziar o cálice num só gole e depositá-lo no chão, Wen Ning tossiu, expirou e inspirou profundamente várias vezes, antes de falar:

— Parte, Renshu?! SÓ PARTE??? O que raios você tem aí dentro? Alguma máquina de guerra? Um aríete com poder brutal? Céus! Que sensação pavorosa! Eu sinceramente achei que fosse morrer! Como é que você aguenta tamanha tortura?! 

Bai Renshu ergueu ambas as mãos na altura do peito, as palmas voltadas para cima, expressando um gesto de resignação. Seus ombros se elevaram suavemente, como se quisessem transmitir uma mensagem de impotência diante da situação.

— Não é que eu aguente, Ning. Eu só... não tenho escolha.

Wen Ning, por outro lado, balançava uma perna inquietamente enquanto suas mãos apertavam os braços da poltrona. Apesar do semblante zangado e da impaciência visível, era possível notar preocupação em suas palavras ásperas.

— Como não tem, Renshu? Como não tem?! - ele questionava irritado, franzindo a testa em desaprovação. — Acaso se esqueceu que você pode bloquear os sentidos de qualquer pessoa?

— Não, não me esqueci.

— Então por que raios você não usa esse talento em seu próprio benefício?

Bai Renshu suspirou cabisbaixo, seu olhar fixo no chão de madeira como se buscasse esconder o quão deprimente seu sentimentalismo era. Sua voz soou quase como um sussurro, carregada de emoção contida:

— Porque, nesse caso, eu também não sentiria você me tocar...

Julgando-o como insensato, Wen Ning revirou os seus olhos e o censurou:

— Céus, Renshu, seja razoável! Quem, em sã consciência, preferiria essa tortura?!

Com o cenho fechado, julgando-o como insensível, Bai Renshu lançou a ele um olhar atravessado e enfatizou secamente:

O Legado da CarneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora