Capítulo 32

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Discreto e educado, Lan Sizhui conteve sua intensa vontade de rir da revelação de seu sênior, disfarçando-a com uma tosse muito sutil.
Após lhe preparar um chá reconfortante e de conversar pelo tempo de pouco mais do que um incenso queimado, o rapaz finalmente conseguiu tranquilizar o apavorado General de que Bai Meiling compreenderia e perdoaria o mal entendido.
Resolvida a situação, os dois passaram para um rápido diálogo sobre a possibilidade de Bai Renshu ainda estar vivo. Wen Ning compreendeu e concordou que as chances eram mínimas, mas afirmou que, neste caso, até a menor possibilidade valeria o maior esforço, independente do resultado.

(...)

Era manhã. Os primeiros raios de sol despontavam no horizonte enquanto tio e sobrinho andavam lado a lado. Wen Ning segurava as rédeas de seu cavalo, caminhando com Lan Sizhui o trecho em comum até o ponto em que ambos se separariam em rotas distintas.

Um grupo de pássaros voou assustado, dando indícios de um mal presságio. De repente, junior e sênior escutaram um grito distante. Momentos após, houve um segundo grito. E um terceiro. Quarto. Quinto. Sexto... depois um sétimo. Pouco depois, várias pessoas gritaram quase ao mesmo tempo.
Os dois entreolharam-se em silencioso estado de alerta como se mutuamente perguntassem: "Que raios estava acontecendo por ali?"

Tio e sobrinho subiram no cavalo e galoparam até a cidade.
Seguindo o grande fluxo de transeuntes curiosos que iam numa mesma direção, eles finalmente conseguiram encontrar o epicentro da confusão: num canto da rua, em meio a centenas de curiosos e algumas dezenas de familiares chorando, uma pilha de corpos jazia no chão.

Wen Ning amarrou as rédeas do cavalo em um pilar, enquanto Lan Sizhui correu para checar os cadáveres. Quando Wen Ning aproximou-se e avistou um estranho repetindo o gesto de Sizhui, o General lhe perguntou:

 Com Licença. O senhor sabe me explicar o que aconteceu aqui?

Assim como Lan Sizhui, o homem também agachava-se diante dos corpos, tocando os pulsos, checando os olhos e analisando cadáver por cadáver. Como carregava uma espada e possuía um porte mais atlético, Wen Ning logo notou que não se tratava de um médico, mas sim de um cultivador.
O cultivador desconhecido fez um sinal para que o General aguardasse e somente após terminar de verificar a última vítima, ele respondeu a pergunta de Wen Ning:

 Parece que o qi dessas pessoas foi drenado.

Lan Sizhui aproximou-se de seu sênior e fez um gesto positivo com a cabeça, confirmando o que o cultivador desconhecido dissera.

 Provavelmente através das mordidas - completou o Lan. E o cultivador desconhecido assentiu.

 Mordidas? - perguntou o surpreso General. - De que tipo?

"Humanas" - responderam os dois outros em uníssono.

Wen Ning agachou-se diante de uma vítima e a analisou.

 Algum de vocês dois encontrou algum sinal de gangrena ou necrose? - perguntou o Wen, enquanto os procurava.

 Não - disse o cultivador desconhecido.

 Nem eu - respondeu Lan Sizhui.

Wen Ning também não os encontrara. Ele levantou-se, explicando:

— Andei investigando sobre uma doença - ou maldição - que acomete seres humanos e os transformam em criaturas horrendas. Dentre os sintomas havia a necrose e gangrena da área afetada, então...
Wen Ning, de repente calou-se, voltando o seu rosto em outra direção.

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