58. 1990

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Música Recomendada: Dreams, Fleetwood Mac

E o tempo se vai, é estranho e tão

Bonito mas também obscuro e misterioso

A garganta de Per está inflamada, arranhada e dolorida. Engolir um pouco de saliva é um tormento em sua situação.

Quanta falta faz um bom estudo de canto!

Diante de uma plateia de mais ou menos 100 adolescentes bêbados e alguns drogados, Per se sente vivo. Seu coração bate mais forte e rápido ao ver a reação das pessoas quando ele joga cabeças de porco.

Lá fora está tão frio e flocos finos de neve caem sobre o chão.

Mas naquele lugar... ninguém recorda da temperatura negativa. A bebida esquenta seus corpos e os abstêmios se aquecem com o calor humano e a emoção.

Os únicos abstêmios ali são Øystein e Per.

A última música daquele concerto acaba por ali. O último dia de concertos consecutivos entre o Natal e Ano Novo.

Todos que acompanharam aquelas noites de muita rebeldia e Metal são ateus, ou apenas não se importam com nada.

O melhor de tudo para as bandas que se apresentaram durante esses longos dias de inverno rigoroso, foi o dinheiro arrecadado.

Per certamente se sentiu orgulhoso e aliviado. Agora poderia comprar novos equipamentos de áudio e cumprir os próximos planos para a banda dali para frente.

— Preciso de algum remédio para a garganta. — Ohlin comenta com os amigos, integrantes de bandas de Metal comemoram numa lanchonete 24 horas.

— Toma. — Thora oferece alguns comprimidos de várias cores e os põe na mão esguia de Per.

— E qual deles é bom para a garganta? — ele ri, confuso.

Em poucos dias, Thora se tornou de garota irritante e inconveniente para uma garota divertida e legal.

— Eu uso todos — ela gargalha, um pouco bêbada — Pode tomar só um, mas o efeito vai demorar.

Per dá de ombros e engole apenas dois comprimidos. Ele não costuma se importar e nem cuidar de sua voz, mas seria um problema se não pudesse mais cantar. E garganta inflamada é irritante demais.

— Cadê a Sigrid? — ele questiona.

Sigrid e Thora ficaram inseparáveis nos dias de concertos, elas viajaram pela região seguindo a mini turnê das bandas satanistas norueguesas e suecas.

— Ela decidiu passar o fim de ano com as avós. Depois de ficar dois dias inteiros de ressaca, acho que ela quis descansar um pouco. — Thora ri, alheia ao olhar impressionado de Per.

Não é todo dia... nem toda hora. Mas Per Yngve Ohlin está feliz.

A madrugada está fria de doer os ossos. Sua garganta está mais dolorida. Seu corpo está fraco. Aquele sanduíche de hambúrguer vai dar diarreia daqui a alguns minutos.

Mas Per está feliz. Ele sorri daquele jeito inocente, faz suas piadas de humor negro e questionável e até mesmo consegue tirar uma foto decente sem fazer caretas.

Todos que estavam na lanchonete foram para a casa dos Mayhem. Menos Jørn, que já estava demasiadamente cansado.

10 pessoas naquela pequena casa, muitos bêbados, mas todos conversam alegremente e falam sobre seus planejamentos para o ano de 1990.

Claro, Øystein envolveu política no meio das conversas, mas foi ignorado.

Enquanto todos estavam na sala de entrada da cabana, Per teve de ir à cozinha beber mais água e um suco velho de laranja.

O Violinista no JardimHistórias para pegar e não largar. Descubra agora