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Dessa vez Per não perdeu tanto sangue a ponto de ficar pálido e fraco. Mas foi quase.
Os rapazes não conseguiram contratar ninguém para simular uma crucificação e nem conseguiram convencer os donos do espaço em que foi feito o concerto a pôr carne podre no ar condicionado.
Uma pena.
A banda acordou cedo para ensaiar para o próximo concerto que fariam esta noite. Dessa vez, Per conseguiu dormir durante toda a noite e acordou disposto e elétrico. Além disso, a banda toda está numa perfeita harmonia. Só houve três discussões! Um recorde.
Ainda está longe do equinócio de outono, mas todos ali já experimentam os dias mais frios e as cores de ferrugem, ainda tímidas, no topo das árvores.
Jørn de fato comprou comida decente para comerem. Naquele café da manhã, comeram panquecas com mel e um bom café preto. E agora estão num restaurante, prontos para almoçarem. E, como mágica, Per lembrou que tinha família em outro país.
Ele se esforça um pouco para lembrar-se do número de telefone de sua antiga casa, mas logo os dedos agem automaticamente sobre os botões, seguindo a pequena melodia que a combinação dos números faziam em sua cabeça.
― Mãe? ― diz assim que ouve a voz feminina e fina.
A mulher demora um pouco para responder, sendo audível apenas um respiração forte.
― Aqui é a Anna! ― ela grita ― Garoto, você desapareceu completamente. Estamos há dias tentando entrar em contato!
Per franze o cenho e logo se recorda de como a voz de sua madrasta é irritante. Confundível com a voz de sua mãe.
― Ah, eu estou viajando no momento.
― Desde quando? ― o rapaz abre a boca para responder, mas logo é interrompido ― Ora, esqueça! Você precisa saber que Anders sofreu um acidente. Está internado desde antes de ontem.
A voz chorosa da madrasta o contagia e provoca lágrimas e uma tremedeira nas mãos. O telefone cai de seus dedos como água e sua pele fica mais pálida do que o normal.
― Merda.
O que se segue é apenas um borrão em sua mente: Per pedindo o dinheiro que Lúthien dera para Jørn, uma vaga explicação, algumas discussões e o rápido percurso até a estação de trem.
Tudo passou muito rápido e ele quase não lembra do que ocorreu exatamente.
Infelizmente, a viagem de Sarpsborg para Estocolmo fora torturantemente lenta. As imagens passavam rapidamente através da janela. O sol da tarde penetrava no espaço, iluminando seus pálidos olhos azuis, zombando de sua melancolia, sendo o oposto de seu estado de espírito.
Como ele odeia a luz!
Algumas crianças que estavam sentadas à sua frente o observavam com curiosidade enquanto ele se controlava ao máximo para não surtar.
Pobre criança.
Ele não avisou que estava indo para a Suécia. Apenas soltou o telefone e se preparou para a viagem. Sequer sabia o que havia acontecido ao irmão. Sequer sabia se era grave ou não.
E isso só o matava aos poucos.
Ah, a ansiedade… a maldita sensação de impotência diante da ilusão que é o futuro. A maldita raiva, frustração e repugnância diante de algo que não existe.
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O Violinista no Jardim
Romance"É preciso ter caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançante." Nietzsche. Per Yngve Ohlin tem alguns fascínios. Desde que foi considerado morto por 5 minutos e voltou à vida, ele é obcecado pela morte e todo aquele cenário gótico. Imerso na...
