"É preciso ter caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançante." Nietzsche.
Per Yngve Ohlin tem alguns fascínios. Desde que foi considerado morto por 5 minutos e voltou à vida, ele é obcecado pela morte e todo aquele cenário gótico. Imerso na...
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― Cara, falamos com algumas bandas da Suíça, Grécia e Turquia... estaremos em turnê por esses países logo no fim do ano.
Øystein comenta com Kristoffer, que não parece lá muito interessado no que ele diz.
Certo, eu prefiro que ele divague sobre seus planos para a banda do que discutir por causa de política. E além disso, nossa turnê pela Europa é mais palpável que o comunismo.
E o senhor Euronymous adora se gabar em festas como esta, na casa de René, do reconhecimento internacional que o Mayhem tem.
Estamos sempre ocupados respondendo e enviando cartas. Acho que já mandei mais papel para integrantes de bandas de diferentes nacionalidades do que para a minha própria família.
Já trocamos cartas até com Kristian... Lúthien vai adorar saber que o primo tem sua própria banda e faz parte de uma chamada Old Funeral.
Isso vai ser engraçado.
Finalmente pude ver Tompa, desde a festa de Ano Novo de 1989. Ele parece envergonhado ao me ver. Não sei muito bem o que deu em mim para ameaçá-lo com uma faca. Bebida não é uma desculpa.
― Hei, Pelle! ― ele se aproxima e se senta ao meu lado.
Não nego que é estranho vê-lo depois da confusão, mas faz tanto tempo que é ridículo tratá-lo com frieza.
Claro, nós quase montamos uma turnê pela Suécia escondidos, temos uma história com a música e ele é um cara legal. Não é justo ser tímido agora.
― E aí, cara.
Sim, foi uma conversa estranha. Mas dessa vez, eu tenho um plano. Tenho cada passo calculado para o meu objetivo.
— E as novidades? Soube que tem uma namorada agora.
Contra a minha vontade, a pele das minhas faces se esquentam e sei de imediato que estou vermelho como um tomate.
— Bom, s-sim... Mas quero te dizer que vou para a Transilvânia. Em breve.
Tompa arregala os olhos e olha para o chão. Ele pondera as minhas palavras, pensando se responde a elas ou não.
— Oh, sim. Claro que vai. E como está a banda?
Assim como Metalion, Tompa não se aprofundou muito no assunto. Ambos não acreditam muito, já que eu sempre estou falando sobre a Transilvânia. Mas dessa vez, eu quero compartilhar com alguém. Tompa é meu amigo há tanto tempo, e preciso de alguém para desabafar.
— Não, Tompa, é sério. Eu vou mesmo. Eu e minha... namorada. — Não sei exatamente porque essa palavra é tão amaldiçoada para a minha voz, que insiste em me obrigar a falar baixo.
— Certo, eu confio em você. Mas...
— Cara, é sério! E ninguém mais sabe disso.
Há certa urgência na minha voz, uma agonia que nem eu sabia que existia. Tenho certeza de que meus olhos estão arregalados e pressionadores. Por isso que vi Tompa respirar fundo e tomar um gole de cerveja.