— PAI!
Ela nunca gritou tão alto quanto agora. E continua... Incansavelmente. Sua garganta poderia sangrar e ela não se importaria, porque tudo o que quer é que seu pai apareça logo.
Seus olhos não liberam uma gota de lágrima. E infelizmente ela vê tudo claramente. Sem flashes, sem clarão, sem aquela vermelhidão de raiva.
— Pai!
Seu corpo e sua voz se movem automaticamente, é como se fosse outra pessoa, mesmo estando consciente de tudo.
Em situações normais, qualquer outra pessoa desmaiaria ou entraria em surto.
Mas Lúthien... ela sempre esteve em total estado de alerta.
Ou talvez desde que sua irmã morreu.
Seu corpo inteiro está gelado, nervoso e suado... o que reflete bem a sua atitude totalmente fria.
É engraçado pensar que há poucos dias atrás, eles faziam amor apaixonadamente sob a chuva, no meio da clareira.
E que Lúthien, nos dias que se seguiram, sorria pelos cantos e tocava nas marcas de mordida no pescoço e no ombro. Ela também sentia a deliciosa sensação no pé da barriga...
Não demorou até que sua mãe percebesse tudo. Mas dessa vez, ela não disse nada, apenas fez o que achou mais certo: entregar nas mãos de Deus.
Mesmo assim, Lúthien não quis ver o amado... até aquele dia.
— Pai!
Aquele dia fora especial. Amanheceu especialmente dourado, mas com o passar do tempo, se tornou nublado, cinzento. Mas ainda assim, quente.
Quente como raramente sentira.
Foi uma manhã estranha. Bom, ela continuava viva, as árvores estavam lá, sua família agia normalmente... mas algo estava fora do lugar. E ela não sabia o que era.
Até que seu pai comentou que Per lhe deu bom dia e parecia feliz como jamais estivera.
Uma parte dela pensou que Per estava sendo apenas debochado. Outra parte, mais egoísta, pensou que ele estava tão feliz quanto ela depois de tudo.
— Pai! Pelo amor de Deus... — sangue em suas mãos, sangue em seu vestido...
O forte cheiro de ferro quase a faz vomitar.
Assim que soube que seu pai encontrou Per, ela também sentiu uma ponta de raiva... se ele estava na vizinhança, por que não foi vê-la? Afinal, desde o dia no bosque, cada um foi para um canto diferente e nem se falaram mais.
Ela tinha esperanças de que no dia seguinte, ele a procuraria. Mas isso não aconteceu.
Agora ela vê o quanto o seu orgulho tem o poder de ser fatal.
Mas ela não se permite chorar e lamentar pelo arrependimento. Ela tem uma tarefa a ser cumprida.
Mesmo com o coração cheio de orgulho e vergonha, ela caminhou em direção à cabana vermelha. A porta não parecia a mesma...
Ela parecia... fria ao toque. Lúthien pressentiu uma dor perfurante se tocasse naquela maçaneta.
Mas assim que ouviu um som...
Aquele som terrível...
O som que fazia seu coração tremer e as aves fugirem para longe...
Eu estou aqui, Lúthien. Eu estou tão perto novamente de você... Mas dessa vez não carrego sua irmã.
Lúthien abriu a porta e correu em direção ao quarto que já foi tantas vezes. A porta aberta para um cômodo caótico, com roupas espalhadas e papeis jogados na cama. Ele não estava lá.
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O Violinista no Jardim
Romance"É preciso ter caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançante." Nietzsche. Per Yngve Ohlin tem alguns fascínios. Desde que foi considerado morto por 5 minutos e voltou à vida, ele é obcecado pela morte e todo aquele cenário gótico. Imerso na...
