Música recomendada: Leave Out All the Rest, Linkin Park
Lúthien não teve vergonha de contar que quase se entregou completamente para Per... logo depois de discutir com sua mãe... logo depois que sua mãe descobriu sobre seus problemas na escola e suas mentiras.
Giorgos não sabe o que dizer. É muita informação em pouco tempo. É muita informação para poucos momentos antes de sua irmãzinha ir embora para a Grécia.
― Eu disse que você não ia gostar. ― Como uma boa mulher formada, ela teve que cumprir o seu papel de mensageira premonitória da desgraça.
O famoso "eu avisei".
Giorgos queria finalmente entender tudo o que aconteceu em Bergen e porque a casa de sua família se tornou um palco digno de uma Guerra Fria.
Lúthien estava zangada com o pai por ter revelado tudo a Melina. E extremamente magoada com a sua mãe.
Håvard tinha peso na consciência por ter revelado tudo a sua esposa e provocado uma briga.
Melina estava arrependida de ter dito aquilo à filha.
Mas os três permaneciam em silêncio, sem qualquer iniciativa para mudar a situação, que mais parecia um nó cego: quanto mais se tentava desfazer, pior ficava.
Giorgos não entendia como sua mãe fora capaz de pôr a culpa da morte de Angeliki em Lúthien.
Seu coração se parte ao lembrar do corpinho magro e frágil de sua irmã mais nova, jogado sobre a neve naquela noite terrível. Lúthien não teve culpa, fora apenas uma lamentável fatalidade.
― Você acha que se o papai descobrir, vai se separar da nossa mãe? ― Dessa vez, Lúthien levanta a cabeça e observa o irmão mais velho com olhos arregalados.
― Não tenho ideia.
Aquela frase bateu mais forte do que ela imaginava.
Ela esperava profundamente uma solução, um conselho, um caminho... esperava que seu irmão mais velho falasse algo concreto como Sim ou Não. Esperava que ele tivesse a certeza que ela não tem.
Mas aquela resposta serviu para lhe confirmar uma coisa que tanto temia: aquela situação é mais complexa do que ela desejou imaginar.
― Eu não vou contar pra ele. ― diz Giorgos.
― Mas uma hora ou outra ele vai descobrir.
― Mas não será da minha boca.
Os dois permanecem calados por alguns minutos.
Em algumas horas, Lúthien estará no aeroporto para deixar a Noruega, e ela espera sinceramente que o ar mediterrâneo tire todas as suas dúvidas e medos. Que o calor e o sol queimem qualquer sentimento ruim em seu coração.
― Eu entendo que queira ir embora, Lúthien... mas, você acha mesmo que é o melhor momento? E Andreas e Alexandros? Eles que vão sair mais prejudicados se nossos pais se separarem.
Giorgos se arrepende no mesmo segundo que a frase sai de sua boca. É óbvio que ele não quer que sua irmã vá embora, mas sabe que ela já tomou sua decisão e não vai voltar atrás apenas algumas horas antes de ir.
E, mesmo que seja um homem adulto, externar a possibilidade de seus pais se separarem o amedronta.
Ele também não gosta da própria opinião sobre a mãe agora. Nunca sentiu raiva da sua mãe, mas depois do que soube, é impossível esconder esse sentimento.
De qualquer forma, aquilo foi apenas o seu desespero falando mais alto.
― Na verdade, o melhor momento foi muito antes de hoje, Giorgos. Eu deveria ter ido embora há muito tempo. Se eu não estivesse aqui, nada dessas desgraças tinham acontecido.
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O Violinista no Jardim
Romance"É preciso ter caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançante." Nietzsche. Per Yngve Ohlin tem alguns fascínios. Desde que foi considerado morto por 5 minutos e voltou à vida, ele é obcecado pela morte e todo aquele cenário gótico. Imerso na...
