42. Presente de Grego

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Sua mãe sempre diz que a beleza é formada por pequenos detalhes. Às vezes não nos importamos com as coisas pequenas e esquecemos completamente que são elas que formam o Todo.

Como os átomos que formam as cadeiras.

Senhora Lisa Ohlin sempre o lembra disso quando ele tem de arrumar a casa e esquece de tirar a poeira, quase imperceptível, na mesa de centro da sala.

O rapaz sentia muita raiva quando ela diz que detalhes tão pequenos são importantes. Porém, começou a concordar com ela quando uma novata entrou para a sua turma. Noora Alguma Coisa.

Ela era linda. Perfeita.

As maçãs do rosto eram rosadas, assim como os lábios carnudos. O cabelo, tão preto como as penugens de um corvo, eram lisos e enormes.

Todos os detalhes nela, os pequenos detalhes, o faziam suspirar.

A forma delicada de pegar no lápis, a forma de andar, o cheiro amendoado e, o seu preferido, a forma que ela sorria envergonhadamente para Frederik.

Todos gostavam de Frederik.

Ele estava dois anos à frente, e, claro, todas as garotas de sua turma adoravam um rapaz mais velho.

No ensino médio as garotas gostavam de rapazes que estavam na faculdade.

Houve um dia em que Frederik e seus amigos se juntaram no pátio da escola para jogar um partida de cartas. Alguns garotos da sua turma se juntaram a eles e, claro, Per se interessou também.

― Muito bem, quem perder terá que pagar uma prenda. ― Frederik disse. Ele não era tão bonito de perto.

Era bochechudo e lotado de sardas.

Na época o rapaz era muito bom em jogos. Não iria perder, mas tinha a consciência que não iria ganhar. Afinal, eles eram mais velhos e sabiam vários truques de trapaça.

Per e seu colega estavam ganhando nas últimas partidas, muitos haviam desistido e pagado algumas prendas, como sair correndo por aí sem camisa (no frio de outono).

Frederik o observava com atenção e sorria de vez em quando, enquanto que Per, alheio as reações dos adversários, concentrava-se no jogo.

Até que sentira algo gelado entre suas pernas.

O choque foi imediato e ele levantou-se bruscamente.

― O que é isso? ― gritou.

Todos começaram a gargalhar alto. Inclusive o garoto que jogou água em sua calça.

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― Sabe, nós poderíamos contratar alguém para ser crucificado no palco. Claro, com sangue de algum animal. ― sugere Øystein.

― Quem faria uma merda dessas? ― Jan entra na conversa.

Não digo que é má ideia, longe disso, na verdade. Seria ótimo! O problema é que estamos sem grana.

O Violinista no JardimHistórias para pegar e não largar. Descubra agora