80. Respire

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Música recomendada: Time, Pink Floyd

Certa vez, Per simplesmente resolveu andar por uma floresta nos arredores de Estocolmo.

Rusthållarvägen ficava a uns 30 minutos de sua casa, de carro.

O sino de sua escola tocou, ele pegou suas coisas, pegou um táxi e começou a andar por aí.

O lugar estava silencioso, escuro e desértico. No auge do inverno sueco, poucos se aventuraram em trilhas escorregadias daquela floresta.

Ele não contou a ninguém. Simplesmente decidiu e foi.

O garoto sempre disse que sua alma pertencia a floresta. O problema é que essa alma ainda estava apegada a um corpo.

Foi ali, caminhando, estando tão perto da morte e da agonia, que ele decidiu aprender algum instrumento musical.

Ele sabia que seria péssimo em qualquer coisa que tentasse, mas ele precisava daquilo.

O Metal é, em sua mente e coração, um espaço. Não um estilo musical, mas um lugar.

Um lugar onde você pode se esconder e mergulhar num mundo infernal, sombrio e repugnante. Esse é o Metal, na visão de Per Yngve Ohlin.

Ele se entristece ao ver bandas cada vez mais comerciais, com ritmos e letras politicamente corretas para aparecerem na TV e rádio.

Esse não é o verdadeiro Metal, é apenas uma imitação barata e superficial.

E todos que fazem isso são indignos e posers.

Talvez foi naquele lugar repugnante que Dead nasceu... e hoje ele reina diante de uma plateia.

É verão norueguês, e está frio. Só que não naquele cubículo com capacidade para 40 pessoas.

Está quente, fedido e agoniante.

Um barulho terrível para ouvidos sóbrios. Mas os integrantes daquela banda não estão bêbadas. Na verdade, estão inebriados com aquele cenário.

Enquanto isso, Dead profere as palavras de sua música. Algo sobre sentir falta de sangue de gargantas humanas.

Quando os últimos acordes estridentes soam e a cabeça de Per para de rodar junto de seus fios dourados, Euronymous anuncia a segunda banda daquela noite.

A banda até que ficaria até o final para assistir ao circo que chamavam de concerto de Black Metal. Mas preferiram prestar atenção à pequena confusão nos fundos. Uma garota brigando com um rapaz por causa de uma traição.

Jan decidiu ficar para consolar a moça, enquanto os três saíram.

Per limpa o rosto rudemente enquanto os três estão na caminhonete a caminho da casa de um amigo.

Na verdade, primo do amigo de Kristian.

Tudo está muito quieto entre os três rapazes. Todos ali estão sóbrios, o que explica Jørn estar calado.

A noite escura de verão é atípica. Estrelas pintam o céu, nuvens escondem a lua, mas ainda é possível ver o prata colorindo aquele azul escuro.

Já é meia noite, mas o escureceu às 20 horas.

Per já refletiu sobre isso.

Ao chegar a Oslo, um inverno chuvoso o recebeu sem pausas.

Ao chegar à Bergen, um lugar conhecido pelos belos verões, é recebido por uma noite escura e fria.

Seria ele um imã de clima ruim?

Ele gostaria de ver auras só para poder se contemplar em um espelho. Provavelmente, ela é negra e exala toda a repugnância que está em sua mente.

O Violinista no JardimHistórias para pegar e não largar. Descubra agora