Música recomendada: Black Hearts and Evil Done, Jerry Cantrell
Kråkstad, Agosto de 1990
O barulho mais alto registrado nesse mundo foi causado pela erupção do vulcão Krakatoa.
Dizem que o som da explosão foi tão alto que rompeu os tímpanos de pessoas a dezenas de quilômetros de distância. Imagine o que não acontecera as pessoas que estavam mais perto?
Um barulho tão poderoso a ponto de tremer todos os ossos de um ser humano. Capaz de ensurdecer alguém. De traumatizar pelo resto da vida.
Não existe um vulcão ali.
Não está chovendo para ter trovões ameaçadores.
Na verdade, o dia estava silencioso, confortável, apenas com a melodia de pássaros e árvores balançando com o vento que ia e vinha ao seu bel prazer.
E tão ensolarado...
Quente...
Perfeito para um piquenique.
Mas nesse momento, Øystein, Jan e Jørn não estão em casa. Saíram correndo para fora, na verdade. Enquanto isso, Per prefere estar trancado em seu quarto, com as mãos pressionadas sobre seus ouvidos para abafar aquele som terrível, que agride toda aquela bela atmosfera.
Um som cruel que tornou aquele dia quente no mais gelado do inverno.
Um som que pintou aquele lindo céu aberto com nuvens negras caindo sobre a terra, arrasando tudo.
Ele ouviu cada segundo. Cada grito, cada pranto, cada gemido e uivos.
"Eu vou matar ele!"
"Me deixem!"
"Por quê, Deus?"
"Isso não pode ser verdade"
Ele está longe, mas pôde ouvir tudo com clareza... como uma grande explosão. E o que ele não daria para ter seus tímpanos perfurados agora!
Gritos...
Antes uma voz que o encantava, agora o amedronta.
Qualquer um se preocuparia com aqueles gritos, mas ele decidiu permanecer em seu quarto enquanto seus amigos foram verificar.
Passou-se alguns minutos até que os três voltassem para casa. Mas ele tem certeza de que o choro não passou, Lúthien apenas entrou em casa.
Seu coração bate tão rápido, seus músculos tão retesados, e suas mãos ainda não saíram dos ouvidos.
Na verdade, não adiantaria nada. Aqueles gritos se impregnaram em sua mente e nem se levasse um tiro na orelha, ele deixaria de ouvir aquela voz horrorizada.
Pior... as imagens que ele criara na cabeça. Sua mente pregando peças... imaginar Lúthien jogada na grama, sendo puxada pelo seu pai. Imaginar aqueles olhos ferozes e vermelhos de tanta lágrima. Imaginar seu rosto sardento sujo pela água.
Ele não viu a cena, mas foi mais ou menos isso.
Aquelas imagens o torturam e se não fosse por Jørn, ele acha que ficaria ali por dias num filme que ele mesmo criara.
― Toma.
Per aceita de bom grado a caneca de cerveja que o amigo oferece.
― Não quer ir lá para fora? Ainda tem lefse.
Antes de ouvirem aos gritos, os quatro estavam na sala confraternizando.
Era esperado que Jørn contasse toda a situação com Thora, seus novos planos e que o resto também contasse como fora o concerto em Bergen.
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O Violinista no Jardim
Romance"É preciso ter caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançante." Nietzsche. Per Yngve Ohlin tem alguns fascínios. Desde que foi considerado morto por 5 minutos e voltou à vida, ele é obcecado pela morte e todo aquele cenário gótico. Imerso na...
