Nada inocente

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CARLA


Eu estava sentada em frente ao grande espelho que cobria a parede à minha frente, enquanto observava minha imagem refletida.

As meninas ao meu redor estavam todas ocupadas, algumas se maquiando, outras ajustando suas roupas provocantes, como sempre.

O cheiro de perfume doce e o leve toque de álcool no ar eram uma mistura familiar.

Eu peguei a escova de cabelo e passei nos fios brilhantes, que agora caíam perfeitamente sobre meus ombros.

O cabelo precisava estar perfeito, as roupas impecáveis, e a maquiagem... a maquiagem tinha que ser hipnotizante, como um feitiço.

Tudo para manter os clientes interessados e, claro, para manter Taehyung sempre de olho em mim.

— Vai arrasar hoje, Carla? — Uma das meninas, Layla, perguntou enquanto terminava de colocar seu salto alto. Ela me olhou pelo espelho, com um sorriso travesso no rosto.

Ela sempre tinha um sorriso fácil, mas algo na forma como ela me olhava tinha uma pitada de desafio. Não que eu me importasse. Eu estava acostumada a ser o centro das atenções.

Sempre fui.

Mas algo nela me deixava inquieta.

— Sempre arraso. — Respondi, minha voz baixa e cheia de confiança.

Enquanto finalizava o batom, ajustei a maquiagem dos meus olhos. O olhar tinha que ser penetrante, profundo, atraente.

Nada muito suave, nada inocente. Eles precisavam ver o que queriam ver em mim: uma mulher imbatível e gostosa.

— Você sabe que vai ser um dia difícil hoje, né? — Layla comentou, agora com uma expressão de seriedade. — Os caras de sempre vão estar por aqui, mas... ouvi dizer que o novo cliente da noite tem uma grana e tanto. Pode ser sua chance.

Eu ri sem humor, jogando um pouco de pó no rosto.

— Já estou cansada dessa "chance". — Respondi, sem olhar para ela. Eu sabia o que ela queria dizer. Eles sempre estavam atrás de uma "oportunidade" que me fizesse ser mais do que apenas uma das garotas da boate. Mas eu já tinha algo em mente. Algo muito mais importante. — Vou me divertir essa noite. Só isso. O resto... bem, o resto não importa.

A conversa foi interrompida quando Amanda, entrou na conversa com uma piada.

— Carla, você tem que parar de ser tão séria. Vai acabar transformando esse lugar em uma funeral com essa cara de poucos amigos. — Ela riu, ajeitando o decote de sua roupa, que não deixava muito para a imaginação.

Dei um sorriso em sua direção, sabendo que, para aquelas meninas, o trabalho era uma necessidade. Mas eu estava pensando em algo mais.

Algo mais que poderia mudar tudo.

— Não se preocupe, Amanda, meu sorriso não é para você. — Respondi, rindo com uma ponta de sarcasmo.

Layla piscou para mim, notando o tom de irritação que eu mal escondia. Ela me conhecia bem o suficiente para entender que algo não estava certo.

A frieza em mim era cada vez mais visível, até para as mais desatentas.

— O patrão não apareceu ainda, né? — Amanda perguntou de repente, mudando o assunto com seu olhar curioso.

A menção no nome de Taehyung fez minha atenção se redobrar.

Eu sabia que ela estava tentando ser casual, mas não consegui evitar o aperto no peito. Taehyung... ele era meu, ou pelo menos eu tinha a impressão de que sempre seria, até aquela ratinha aparecer e bagunçar tudo.

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