Pequeno Park

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JIMIN

Eu encostei na parede branca ao lado da porta do banheiro feminino, cruzando os braços e olhando o reflexo da vitrine da loja infantil à minha frente. Louise tinha pedido pra parar ali, disse que tava enjoada e precisava usar o banheiro antes da consulta. Eu só assenti e esperei. Sem pressa.

A vitrine tinha um macacãozinho amarelo com orelhas de coelho e uma frase escrita em italiano: "Sono il regalo della mamma". Sorri sozinho.

Meu celular vibrou pela terceira vez em menos de dois minutos. Tirei do bolso, desbloqueei, e lá estava: mais uma mensagem do grupo com os rapazes que estavam cuidando da nova remessa no porto.

> Soldado 1: Chegou a notificação. Eles querem adiantar a entrega.
Soldado 2: E aquele nome da lista sumiu do radar. Quer que a gente investigue mais fundo?
Soldado 3: O cara da alfândega tá pedindo aumento.

Suspirei fundo. Digitei rápido com o polegar:

> Jimin: Só me atualizem até o meio-dia. Tô com a Louise. Hoje é dia do bebê.

Bloqueei a tela e guardei o celular no bolso justo na hora que a porta do banheiro abriu. Louise saiu ajeitando os cabelos com um elástico, visivelmente enjoada, mas tentando manter a compostura. O olhar dela me encontrou de imediato.

— Tá melhor? — perguntei, indo até ela.

— Tô. Ainda com um pouco de náusea, mas passou o pior. — Ela soltou um suspiro e depois sorriu, meio cansada. — Obrigada por esperar.

— Esperar você é meu novo hobby favorito. — Estendi a mão pra ela. — Bora pro nosso showzinho de imagens?

Ela segurou minha mão e seguimos andando até o carro, devagar. No trajeto, notei como ela tava mais redondinha. A barriguinha tava crescendo, mesmo que ainda pequena.

Entramos no carro e liguei o rádio baixo. No caminho até a clínica, fiquei de olho nela, e uma hora apoiei a mão na barriga dela de leve.

— Tá ouvindo, pequeno? Hoje vamos te ver de novo. E, se tiver colaborando, talvez a gente até descubra o que você é. — Fingi uma voz misteriosa. — Uma princesa charmosa ou um guerreirinho valente?

Louise riu.

— Você tá falando como se fosse um desenho animado.

— Deixa eu, vai. Esse bebê precisa se acostumar desde cedo com meu talento pra entreter.

Ela se encostou melhor no banco, fechando os olhos por alguns segundos.

— O pior é que ele parece gostar. Sempre que você fala, ele para de me fazer passar mal.

— Tá vendo? É conexão.

Chegamos à clínica e fomos direto pra recepção. Eu preenchi os dados no tablet que nos entregaram, enquanto ela sentava numa das poltronas da sala de espera.

O celular vibrou de novo. Era o mesmo grupo.

> Soldado 2: Confirma o plano B pra semana que vem?

Digitei rápido:

> Jimin: Falamos disso amanhã. Hoje não.

Guardei o celular e voltei minha atenção total pra Louise. Ela brincava com os dedos, parecendo nervosa.

— Vai dar tudo certo, viu? — falei, me sentando ao lado dela.

— É que eu fico pensando se tá tudo bem lá dentro. Sei lá... É uma responsabilidade tão grande.

— E você tá lidando com isso como uma rainha. Olha só: tá comendo direitinho, indo nas consultas, lidando com enjoo, dores, sono, emoções... Você é forte demais, Louise.

OBSESSÃO Histórias para pegar e não largar. Descubra agora