Cativeiro

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Louise


O tempo dentro do quarto parecia não passar. A luz entrava fraca pela janela, iluminando só um pedaço da parede. Eu já tinha chorado tanto que nem sabia mais se chorava ou só respirava pesado. O silêncio machucava, doía no peito. Eu só queria ouvir o som dela… minha filha.

O barulho da maçaneta me fez levantar na hora.

Meu coração bateu rápido, eu esperava qualquer coisa, menos ver ele ali, parado, com aquela cara fria, como se nada tivesse acontecido.

    — Finalmente resolveu aparecer — falei baixo, tentando segurar o tremor na voz.

Jimin deu um meio sorriso, como se estivesse tentando ser o homem calmo, carinhoso, o mesmo que fingia ser antes de tudo vir à tona.

Ele deu alguns passos na minha direção.

    — Vim saber como você está.

    — Me trancou aqui e ainda quer saber como eu tô? — retruquei, seca. — Quer que eu diga que tô bem? Que tô grata por ser sua prisioneira?

Ele suspirou, passando a mão no cabelo.

    — Louise, eu não quero brigar — disse, num tom calmo demais, que me irritou ainda mais. — Eu só quero conversar.

    — Conversar? — ri com ironia. — Depois de me tirar a minha filha, depois de mentir sobre tudo, depois de me fazer de idiota? Você quer conversar?

Ele se aproximou mais, e eu senti o sangue subir. Meu corpo se moveu sozinho. Eu empurrei ele.
Depois dei socos em seu peito. Ele tentou segurar meus pulsos, mas eu me desvencilhei e bati de novo, gritando.

    — ME DEVOLVE ELA, JIMIN! ME DEVOLVE MINHA FILHA!

   — PARA! — ele gritou, segurando meus braços com força. — Você perdeu a cabeça!

    — Eu perdi tudo! — gritei de volta, tentando me soltar. — Você destruiu a minha vida, o meu casamento, a minha confiança! Você mentiu sobre tudo!

Ele me empurrou com força. Eu caí no tapete, sentindo o impacto nas costas.
Fiquei ali, olhando pra ele com ódio e medo misturados.

Ele respirava pesado, o olhar cheio de raiva.

    — Isso vai ter consequência, Louise — disse, baixo, frio, cada palavra cortando o ar.

Eu entendi. Ele não estava brincando.
Por um segundo, o medo me travou. O silêncio entre a gente era insuportável.

Então eu quebrei o orgulho.

Levantei devagar, as lágrimas caindo sem controle. Fui até ele, com a voz embargada.

    — Me perdoa, Jimin… por favor. Eu não devia ter feito isso. — toquei o braço dele com cuidado. — Eu só… eu só quero ver minha filha. Só isso. Eu imploro.

Ele não se moveu. Me olhou como quem observa alguém que perdeu o valor.

   — Você não vai ver ela — respondeu, seco.

    — Jimin, por favor… — minhas mãos tremiam. — Eu tô implorando. É a nossa filha.

   — Não é nossa… não até você aprender a obedecer. — ele respondeu rápido.

As lágrimas vinham com força agora, sem parar.

    — Você tá me punindo por saber sa verdade? — perguntei, soluçando. — É isso? Quer me ver rastejar? Quer me ver implorar pra respirar o mesmo ar que ela?

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