Carla
◇
O quarto estava cheio de gente.
O médico, duas enfermeiras, Taehyung andando de um lado pro outro, impaciente.
E eu, deitada na cama, respirando fundo, tentando disfarçar o sorriso que queria escapar.
O doutor olhava pra mim com aquela expressão calma e meio desconfiada.
Colocou o estetoscópio no peito, depois examinou minha barriga, tocou levemente.
Por um momento achei que ele fosse me desmascarar.
— Hum… — ele murmurou, olhando o relógio no pulso. — Senhora Carla, a senhora disse que sentiu dores fortes e que a bolsa rompeu, certo?
Assenti, séria, segurando a barriga com as duas mãos.
— Sim, doutor. Eu senti… juro. Doeu tanto que achei que fosse desmaiar.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, depois ajeitou os óculos e olhou pra mim com aquele tom de quem quer falar, mas não quer causar confusão.
— Bom… o bebê está bem. — ele respirou fundo. — O líquido amniótico está intacto, o colo do útero sem dilatação… não há sinais de parto por enquanto.
Taehyung, que estava parado perto da janela, se virou rápido.
— Como assim? Ela gritou de dor. Achei que estivesse em trabalho de parto.
O médico deu de ombros.
— Pode ter sido contrações de Braxton Hicks, sinais de cansaço, ansiedade… É normal nesta fase final. Mas recomendo repouso absoluto, nada de esforço, e hidratação constante.
Taehyung assentiu, preocupado.
— Certo. Ela vai descansar. Eu cuido disso.
O médico sorriu de leve e guardou o estetoscópio.
— E, senhor Kim, — completou — evite deixá-la sozinha. O bebê pode nascer a qualquer momento, e cada minuto é importante nessa reta final.
Taehyung agradeceu e o acompanhou até a porta.
Eu fiquei observando.
Assim que eles saíram, deixei escapar um sorriso. Um sorriso discreto, mas cheio de veneno.
Ele não foi... Não foi atrás dela.
Ela ficou lá, sozinha, implorando por ele, e Taehyung ficou aqui, comigo.
No meu quarto.
Comigo e com o filho que eu carrego.
Era só isso que eu precisava.
Um empurrãozinho do destino.
Taehyung voltou e veio direto até mim.
— Como tá se sentindo? Quer que eu chame a cozinheira pra fazer algo leve?
Fingi pensar por um segundo e depois dei um suspiro fraco.
— Eu acho que quero sopa… e talvez um pouco de chá de camomila. Minha cabeça tá doendo.
Ele assentiu na hora.
— Tá bem, eu mesmo vou pedir. — E saiu, apressado.
Assim que ele atravessou a porta, eu me recostei nos travesseiros, satisfeita.
Poder, era isso que eu sentia.
Poder de manipular o homem mais frio e impiedoso que já conheci.
Quando ele voltou com a bandeja nas mãos, sentei-me devagar, fingindo dor.
Levei uma das mãos à barriga e murmurei:
— Ai, de novo… taehyung, tá voltando.
O desespero dele era quase bonito de ver. Deixou a bandeja em cima da mesinha e veio correndo.
— Onde dói? Quer que eu chame o médico de novo?
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OBSESSÃO
General FictionTaehyung, um poderoso mafioso, sentia um vazio desde a morte de sua esposa. Ele tentou preencher esse vazio com dinheiro, poder e mulheres, mas nada parecia funcionar. Até que um dia seus olhos cruzaram com os de Louise, uma jovem com uma semelhança...
