Coreia

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Louise

— Você viu meu carregador? — gritei do quarto, mexendo dentro da gaveta de meias sem nem lembrar o motivo de ter enfiado aquilo ali.

— Tá na sala. Deixou em cima do sofá ontem à noite. — Jimin respondeu da cozinha, com a voz abafada por alguma coisa que ele devia estar mastigando.

Revirei os olhos, irritada comigo mesma. — Por que eu deixo tudo jogado? — murmurei, indo até a sala com uma mão nas costas, cansada só de andar. Meu pé tava inchado, a barriga pesando... seis meses de gravidez eram uma eternidade.

Peguei o carregador e voltei devagar pro quarto. A mala dele já tava fechada. A minha, ainda aberta, quase me encarava, me acusando de preguiça.

— Tá quase tudo, só falta escova, creme, essas coisas de última hora. — Falei alto, só pra ele ouvir.

— Leva o creme pro cabelo, aquele que você gosta. E o chinelo preto. Lá em casa é frio, mas tem aquecedor só no andar de cima.

— Uhum... — Respondi sem prestar muita atenção, sentando na cama devagar. A barriga esticava a camiseta do BTS que eu roubei do armário dele. — Tô cansada.

Jimin apareceu na porta com um copo de suco. — Toma. Vai te dar um gás.

Peguei o copo. — Obrigada. — Dei um gole. — Tá azedo.

— Laranja natural. Melhor que refrigerante.

— Ugh, ainda prefiro refrigerante. — Fiz careta e encostei o copo na mesa de cabeceira. — Que horas é o voo mesmo?

— Três da tarde. Mas quero sair daqui meio-dia, no máximo. A gente vai de carro até o aeroporto, e não quero correr com você no meu encalço.

— Tá bom. — Suspirei.

Ele entrou no quarto e sentou na ponta da cama, me olhando.

— Tá nervosa?

— Um pouco. — Cruzei os braços sobre a barriga. — Não vejo minha mãe faz... o quê? Seis meses? Nem sei como vai ser.

— Vai ser tranquilo. Eles te amam. E agora vão ver a netinha crescendo aí dentro. — Ele sorriu e esticou a mão, encostando com carinho na minha barriga.

— Não sei se vai ser tão simples assim. — Engoli seco. — Meu pai ainda deve me odiar.

— Ele vai amolecer. Você é a filha dele. — Jimin falou convicto, com aquela voz que parecia ter certeza de tudo.

Ficamos em silêncio por uns segundos. Ele passou a mão no meu cabelo, e eu fechei os olhos por um instante.

— Vamos terminar essa mala? — Ele quebrou o silêncio, se levantando.

— Bora.

(...)

Duas horas depois, a gente já tava no carro. Jimin dirigindo, eu no banco do passageiro, tentando ajeitar o cinto com a barriga. — Isso aqui tá me sufocando.

— Quer que eu pare e ajeite?

— Não, vai assim mesmo.

Ele ligou o som, e começou a tocar aquela playlist que a gente fez juntos. Misturava de tudo: pop, R&B, uma ou outra breguinha brasileira que ele dizia que odiava, mas cantava junto comigo.

— E se minha mãe perguntar do nosso casamento?

— A gente fala que estamos casados. — Ele deu de ombros.

— Você é muito sem vergonha.

— Ué, não é mentira. — Ele sorriu de lado, mas não tirou os olhos da estrada...

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