Pequeno Kim

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Kim Taehyung

O som dos meus passos ecoava frio pelos corredores brancos. A cada passo, meu coração batia mais forte. O cheiro de antisséptico, o zumbido distante de aparelhos, o ranger das rodas das macas, tudo parecia me sufocar. Eu não sabia o que esperar quando Jimin me ligou dizendo que Carla estava em trabalho de parto. Só sabia que meu filho estava chegando… e que eu precisava estar ali.

Uma enfermeira me entregou a roupa esterilizada e a máscara.

— O senhor pode se trocar ali dentro, Sr. Kim. Precisamos ser rápidos.

Assenti, vestindo o avental azul, as luvas, o gorro. Quando me olhei no espelho, mal me reconheci. Um homem de rosto cansado, o olhar pesado, mas com o coração batendo descompassado por algo que ele nunca sentiu antes.

Quando entrei na sala, as luzes intensas quase me cegaram. Carla já estava deitada, com o campo cirúrgico azul separando seu rosto do restante do corpo. Ela não me olhou, mas eu vi o tremor em suas mãos, os lábios pálidos, o suor frio escorrendo em sua têmpora.

— Estamos prontos para começar — avisou a médica, ajustando as luvas.
— Pode ficar ali ao lado dela, Senhor Kim.

Dei alguns passos hesitantes até parar ao lado de Carla.
Por um momento, apenas observei.
As máquinas apitavam em intervalos regulares, o ar cheirava a álcool e metal. Uma das enfermeiras segurava o bisturi, e o silêncio que precedeu o corte me fez prender a respiração.

Quando o primeiro som metálico ecoou, meu corpo enrijeceu.
Vi o sangue, o brilho dos instrumentos, as mãos firmes da médica abrindo caminho para a vida.
Tudo pareceu parar por alguns segundos, até que o som mais bonito do mundo encheu a sala.

O choro.

Meu filho.

Um som agudo, forte, que cortou o ar e atravessou tudo dentro de mim.
A médica sorriu sob a máscara.

— É um menino lindo! — anunciou.

Meu peito se apertou. Eu quase não conseguia respirar.
Vi quando ela o levantou, pequeno, vermelho, ensanguentado, mas… vivo. Tão vivo que parecia brilhar.

— Kim Junghyun… — murmurei, sem perceber que estava sorrindo.

O bebê chorava alto, as perninhas se mexendo, os punhos cerrados.

— Quer cortar o cordão, senhor? — perguntou a médica, estendendo a tesoura.

Por um instante, fiquei paralisado.
Então caminhei até o pequeno corpo que ainda chorava, as lágrimas já me queimando os olhos.

— Sim… — respondi, com a voz embargada.

Aproximei a tesoura e cortei o cordão. Aquele fio, que ligava mãe e filho, foi rompido por minhas próprias mãos, e naquele segundo, eu senti como se o mundo inteiro se transformasse.

A enfermeira me entregou ele, ainda todo melado.

— Aqui está o seu filho, Senhor Kim.

Peguei-o com cuidado, as mãos tremendo.
Era tão pequeno… tão leve… mas parecia carregar todo o peso do meu coração.
Os olhos ainda fechados, a boquinha idêntica a minha. E quando ele se mexeu, soltando um resmungo fraco, algo dentro de mim simplesmente desabou.

— Ei, meu pequeno… — sussurrei, encostando o nariz em sua testa quente. — Eu sou o seu pai.

O bebê se acalmou, como se reconhecesse a minha voz.

— Você lutou tanto pra chegar, não foi? — continuei, o sorriso nascendo entre as lágrimas. — Meu Deus… você é perfeito, Junghyun.

A médica me observava de longe, sorrindo por trás da máscara.

OBSESSÃO Histórias para pegar e não largar. Descubra agora