A Verdade Que Quebra

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Louise

Eu cheguei em casa exausta. O silêncio da minha casa parecia estranho depois de horas ouvindo Taehyung gemendo no meu ouvido, nossas vozes misturadas naquele quarto. Entrei no quarto, fui direto até o berço.

Haneul estava dormindo. Pequena, tão pequena. O rostinho tranquilo, o narizinho igual ao meu, na minha opinião é claro, a boquinha meio aberta. O quarto estava com uma luz suave, só o abajur aceso. Aquele cheirinho de recém nascida tomou conta de mim.

Me abaixei devagar, passei a ponta dos dedos na bochecha dela e sorri.

   — Mamãe tá aqui, meu amor… — murmurei baixinho, para não acordar. — Tá tudo bem.

Ela respirou fundo, soltando um sonzinho quase imperceptível. Eu fiquei ali por um tempo, só olhando.

Depois fui até o closet, procurando uma roupa leve. O corpo ainda doía das horas intensas com tae, nesse misto de emoções esqueci completamente do meu pós parto.

Peguei uma toalha, deixei as coisas preparadas na cama e fui direto pro banho.

A água quente escorrendo sobre os ombros parecia levar parte dos meus problemas. Eu precisava daquilo. Fechei os olhos, respirei fundo.

Mas quando saí do box, ainda enrolada na toalha, ouvi um som que me fez parar.

Vozes.

Eu fiquei imóvel, tentando entender.
Primeiro uma voz masculina, alterada.

Jimin.

O coração acelerou.
E outra voz, feminina.

   — …você prometeu, Jimin! — ela dizia, irritada. — Eu não vou aceitar menos do que o combinado!

Franzi o cenho. Ajeitei a toalha com mais força, me aproximei da porta devagar. O som vinha da sala, lá embaixo.

“Quem tá com ele aqui?”, pensei.

Apertei os lábios, tentando ouvir melhor.

   — Você acha que eu vou continuar calada, é isso? — a mulher gritou. — Acha que eu não vou cobrar pelo que fiz pra você ter a sua santinha?

Meu estômago revirou.

Cobrar? O que ela tava dizendo?

Desci as escadas devagar, com o coração batendo rápido demais. Parei no meio do caminho, me abaixei atrás da parede, de onde dava pra ver o reflexo deles pela moldura do espelho grande da sala.

Jimin estava de costas, os braços abertos, nervoso. A mulher, não consegui ver direito.

  — Cala a boca! — ele estourou. — Você quer que alguém ouça?

Meu corpo gelou.

Senti um arrepio percorrer as costas.

   — Ah, então agora eu sou o problema, né? — ela debochou. — Esqueceu que foi você quem me procurou, implorando pra ajudar? Que foi você quem pediu pra eu inventar aquelas histórias pra separar ela do Taehyung?

Minhas pernas travaram.

Não. Não podia ser.

  — Cala a boca, porra, sua vadia! — ele disse mais alto.

Mas Carla continuou.

  — Eu fiz tudo que você quis. Transformei Taehyung em um monstro. Me deitei com o marido dela, por você!

A sala girou.

O ar parecia sumir.

Ele seria capaz de tanto?

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