Taehyung, um poderoso mafioso, sentia um vazio desde a morte de sua esposa. Ele tentou preencher esse vazio com dinheiro, poder e mulheres, mas nada parecia funcionar.
Até que um dia seus olhos cruzaram com os de Louise, uma jovem com uma semelhança...
O vapor do banho ainda pairava no ar do quarto. Sentada na beirada da cama, envolta num roupão branco que escorregava pelo ombro, eu encarei o relógio digital na cômoda. Já estava atrasada. O ponteiro piscava 19h42.
Revirei os olhos, bufando.
— Droga...
Levantei, mas no mesmo instante alguém bateu na porta do quarto.
— Senhorita Carla? — a voz masculina e grave de um dos seguranças da boate chegou abafada do lado de fora. — Seu carro está pronto. Ele já está esperando.
— Já vou! — respondi alto, sem paciência.
Ouvi os passos se afastando no corredor da boate. Suspirei e me levantei. Soltei o laço do roupão e o deixei cair lentamente, sentindo o tecido escorregar pela pele ainda quente do banho. Caminhei até o espelho grande de corpo inteiro, nua.
Me encarei.
— Tá tudo aqui ainda... — murmurei sozinha, passando a mão pelos seios, pela cintura, analisando meu corpo como se fosse um produto na vitrine. — E mesmo assim, ele não me quer.
Meus olhos endureceram.
Taehyung.
Mesmo dizendo o nome só na minha cabeça, meu coração acelerava. Era raiva e desejo misturados numa combustão que já me consumia há tempo demais. A última vez que o vi de perto, que trocamos palavras, foi há semanas. E nem foi no quarto dele... nem em um beijo.
Desde que aquela garota sumiu, aquela idiota da esposa. Taehyung virou outra pessoa. Sumiu das noites na boate, sumiu da minha vida. Nem sequer me atende mais. Mandou Ji-hoon me dizer que, a partir de agora, tudo o que se referir ao Centro Noturno deve ser tratado diretamente com ele.
Como se eu fosse uma funcionária qualquer. Como se o que a gente teve nunca tivesse significado porra nenhuma.
Engoli seco, sentindo uma fisgada no estômago.
— Ele me jogou de escanteio como se eu fosse descartável...
Fui até o closet, abrindo uma gaveta com força. Peguei a lingerie preta de renda que ele dizia adorar. Coloquei com raiva, como se ainda houvesse alguma chance dele aparecer de surpresa e se render. Vesti o vestido vermelho justo por cima e fui até a penteadeira passar um batom escuro.
— Ele não quer me ver? — falei pra mim mesma, encarando meu reflexo. — Tudo bem. Mas ele vai me ver por todo lado. Ele vai ouvir falar de mim... nem que seja nos pesadelos dele.
O celular vibrou. Era uma mensagem de Ji-hoon:
"Lembre-se: o show das novas começa às 23h. Preciso que você esteja presente. Sem atrasos."
Revirei os olhos, digitando com rapidez:
"Já estou indo. Pede pra ele relaxar. Sou uma gerente responsável. Volto as 22h."
Saí do quarto com passos decididos. O salto ecoava no corredor silencioso.
Na minha cabeça, um só pensamento ecoava entre a frustração e a obsessão:
Eu ainda vou ser dele. Nem que eu tenha que destruir o mundo inteiro pra isso.
[...]
— Pode se deitar, por favor? — Ele sorriu de maneira profissional, apontando para a maca ao lado. — Levante o vestido para a ultrassonografia.
Eu não tinha escolha, mas sabia que precisava fazer aquilo. O "bebê" era um detalhe insignificante, algo que eu teria que carregar até o momento em que pudesse usá-lo para meus próprios fins.
Levantei o vestido lentamente, como se o peso dele fosse maior do que realmente era, e me deitei na maca. Aquele lugar não me dizia nada.
Meu estômago estava embrulhado, mas não era por causa do bebê. Eu odiava o que esse bebê significava. Não queria ele. Não queria isso.
O médico começou a ajustar o aparelho na minha barriga, mas eu não podia me importar menos. Fechei os olhos e virei a cabeça para o lado. Eu não queria ver aquele monstro que estava se formando dentro de mim.
— O coração do bebê já está batendo forte — disse ele, com uma voz calma, quase suave. — Você está com 15 semanas.
Eu não queria ouvir. O que eu queria era que ele acabasse logo. Não suportava a ideia de estar ligada àquilo de qualquer maneira. Nada disso me importava.
— Não me interessa... — murmurei, a voz fria, sem emoção. — Apenas faça isso rápido.
O médico ficou em silêncio por um momento, mas logo voltou a falar, como se estivesse lendo um manual em sua mente.
— Está tudo bem com o bebê, Carla. Eu sei que pode ser difícil de aceitar, mas é importante que você cuide de sua saúde. Vou passar algumas vitaminas e orientações sobre a sua alimentação. — Ele continuava mexendo no aparelho, mais uma vez ajustando a posição.
Eu não conseguia sentir nada além de frustração e repulsa. Essa coisa dentro de mim... Ele não era meu, ele era uma obrigação que eu teria que carregar.
— Eu já te passei as recomendações no último encontro. — O médico disse enquanto anotava algo na ficha. — Quero que faça tudo certinho dessa vez, para o bem de ambos.
Eu só queria ir embora. Queria que ele se calasse. Queria sair dali e esquecer que isso estava acontecendo. No fundo, sabia que a única razão de estar ali era para garantir que esse bebê se mantivesse vivo, até o momento em que fosse útil para os meus planos.
— Quando termina? — perguntei com um tom impaciente, sem nem olhar para ele. Eu sentia o som do coraçãozinho batendo no fundo, e isso só me irritava mais.
O médico, sem pressa, continuava a explicar as orientações. Ele estava habituado a lidar com pacientes nervosos, mas nunca imaginou que alguém pudesse ser tão indiferente.
— Mais um minuto, Carla. O exame já está no fim, e só preciso fazer a verificação final.
Finalmente, ele terminou e me deixou vestir o vestido de novo, como se nada tivesse acontecido. Nenhum movimento do meu corpo dizia algo sobre o que eu realmente sentia. Coloquei o vestido, me levantando rapidamente.
— Aqui estão as vitaminas e as instruções que você precisa seguir. Se não seguir, pode ter complicações mais tarde. — Ele entregou a receita.
Eu apenas peguei sem olhar. As palavras dele eram como um som distante. Não era isso que me importava agora.
— Eu sei como cuidar de mim mesma — respondi com frieza, e saí do consultório sem nem olhar para trás.
Eu não queria carregar essa coisa dentro de mim, usso vai acabar com meu corpo.
Mas a final, eu faria o que fosse necessário para ter Taehyung de volta.
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