Armadilha

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CARLA


A chuva caía fina quando estacionei o carro em um beco estreito no centro da cidade, longe das câmeras da boate, longe de olhos curiosos.

O lugar era discreto, quase sujo, mas era assim que Jimin gostava. Tinha algo no caos que deixava ele confortável. E perigoso.

Desci do carro com meu sobretudo fechado até o pescoço e os saltos afundando levemente na lama. A porta de metal da entrada lateral de um antigo prédio rangia quando se abria. Lá dentro, ele estava à minha espera.

Encostado na parede, uma garrafa de uísque quase vazia na mão e um cigarro recém-acendido entre os dedos.

— Achei que não vinha — ele disse sem me olhar diretamente, soltando uma nuvem de fumaça.

— E perder a chance de destruir aquela princesinha? Nunca — respondi, tirando o casaco e jogando por cima da cadeira velha no canto do cômodo.

Jimin sorriu de lado. Aquele sorriso calculado, sedutor e frio.

— Louise tá se achando demais. E Taehyung tá cego por ela. Eu te avisei... Ele trocou tudo por aquela garota.

— Ele me apagou como se eu nunca tivesse existido. — Meu tom saiu amargo, engasgado de rancor. — Ela entrou como esposa e virou gerente da boate. Agora todo mundo abaixa a cabeça pra ela. Até os seguranças a chamam de "senhora Louise". Isso tá me dando nojo.

— Calma... — Jimin aproximou-se de mim e encostou uma das mãos no meu queixo, forçando-me a olhá-lo. — É por isso que vamos acabar com ela. De dentro pra fora. Sem pressa. Sem deixar rastros. Mas vai doer.

— Me diga o plano. Eu faço qualquer coisa.

Ele deu mais um trago no cigarro, apagou no cinzeiro enferrujado e então foi até a bolsa preta encostada na mesa. Tirou de lá uma pequena caixa e um envelope.

— Aqui estão alguns preservativos com data vencida. Peguei de um depósito antigo que pertence a uma das boates que eu fechei há anos. Vai parecer coisa da própria empresa fornecedora. Você vai trocar os que ficam nos camarins por esses.

— E se alguém perceber?

— Não vão. Você vai fazer isso no sábado à noite, quando estiverem todos ocupados. Discretamente, sem levantar suspeitas. E no domingo, uma "denúncia anônima" vai chegar até o departamento de vigilância sanitária. Eu já deixei tudo pronto. Incluindo fotos que eu mesmo tirei.

Carla pegou a caixa com cuidado, o coração disparado.

— Você quer fechar a boate?

— Não... só quero desestabilizar a Louise. Fazer Taehyung duvidar dela. De sua capacidade como gerente. Uma autuação de saúde pública no nome da esposa dele é o suficiente pra gerar desconfiança. Principalmente num negócio com tanto dinheiro envolvido.

— E depois?

— Depois você oferece ajuda. Mostra que está ao lado dele. Mostra como você sempre esteve. E deixa o resto comigo.

passei os dedos pelo lábio inferior, pensativa.

— Isso vai funcionar?

— Vai. Confie em mim. Taehyung já está perdendo o controle. Ele tá se apegando a ela como um maldito viciado. Mas se a imagem dela se sujar... ele volta a enxergar com clareza. E vai lembrar do que realmente precisa: alguém que conheça o jogo sujo, que saiba lidar com o inferno. Você.

Houve um silêncio pesado entre os dois. Carla olhou para a caixa mais uma vez.

— Vai ser um escândalo.

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