Louise
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O som da chave girando na fechadura sempre me fazia prender a respiração.
Era o único som que quebrava o silêncio sufocante daquele lugar, um silêncio que parecia me devorar por dentro.
A porta rangeu.
Quando abriu, uma jovem entrou, equilibrando uma bandeja prateada nas mãos.
O cheiro da comida quente invadiu o quarto, mas meu estômago, já fraco, se revirou só de olhar.
A moça evitava o meu olhar. Tinha os olhos baixos, o rosto abatido, o avental amassado.
— Aqui está sua refeição, senhora — disse baixinho, colocando a bandeja sobre o chão de cimento frio.
Eu a observei por um instante, e algo dentro de mim explodiu.
— Por favor… — minha voz saiu rouca, fraca, mas carregada de desespero. — Me deixa sair daqui. Eu imploro.
Ela congelou.
Não respondeu.
Eu me levantei, cambaleando, me apoiando na parede.
— Eu não aguento mais… por favor, me ajuda. Eu tenho uma filha! Eu só quero ver minha filha!
A moça levantou o olhar, e por um segundo pareceu sentir pena.
Mas logo desviou, nervosa.
— Eu… eu não posso, senhora Louise. — balançou a cabeça. — O patrão não permite.
— O patrão? — repeti, sentindo um gosto amargo subir pela garganta. — Seu patrão é o homem que me trancou aqui! O homem que me separou da minha filha! Você acha isso certo?
Ela respirou fundo, os olhos marejando.
Mas a resposta dela foi um golpe.
— O patrão é o senhor Jimin. Eu só obedeço a ele.
Fiquei sem palavras.
Senti as lágrimas arderem, mas não deixei cair. A raiva me sustentava agora.
Ela se virou, pronta para sair, e eu sabia que se deixasse, nunca teria outra chance.
— Espera. — falei, engolindo seco. — Por favor… só um remédio. Eu tô com muita dor. Na cabeça, no corpo… tudo dói.
Ela hesitou.
Olhou pra mim com um misto de compaixão e medo.
— Eu… eu posso trazer um analgésico. — respondeu, depois de alguns segundos. — Mas só isso.
Assenti, tentando parecer calma.
— Obrigada.
A mulher saiu, e a porta se fechou novamente, trancando o ar pesado comigo.
Por alguns minutos fiquei parada, olhando pra bandeja no chão.
Um prato de arroz, feijão e carne fria.
Mas o que me chamava atenção não era a comida, era o peso da bandeja.
Era de prata. Maciça.
Meus pensamentos começaram a correr rápido.
O coração acelerou.
E pela primeira vez em uma semana, eu senti algo que quase tinha esquecido: esperança.
Ajeitei a bandeja nas mãos.
Era pesada o suficiente.
Me posicionei atrás da porta, tentando ignorar o medo que tomava conta de mim.
As mãos tremiam, o corpo fraco, mas eu não podia mais hesitar.
Ou era agora, ou eu morreria ali.
O som da chave voltou.
Uma, duas voltas.
O trinco se moveu.
Meu corpo inteiro se preparou.
A porta abriu lentamente, e a voz da moça ecoou:
— Senhora, trouxe o remé—
O golpe veio antes que ela terminasse.
A bandeja acertou o lado do rosto dela com um som seco.
A mulher caiu no chão, gemendo de dor, levando as mãos à cabeça.
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OBSESSÃO
Ficção GeralTaehyung, um poderoso mafioso, sentia um vazio desde a morte de sua esposa. Ele tentou preencher esse vazio com dinheiro, poder e mulheres, mas nada parecia funcionar. Até que um dia seus olhos cruzaram com os de Louise, uma jovem com uma semelhança...
