Encontro

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Louise

O relógio no meu celular marcava o mesmo minuto havia uma eternidade, pelo menos parecia. Eu estava nos fundos da maternidade, num corredor estreito e silencioso, onde o cheiro de álcool e flores velhas se misturava. Estava esperando ali, enquanto a equipe médica fazia o possível por Carla.

Taehyung havia subido para ver Junghyun no berçário. Ele disse que não demoraria, que voltaria com notícias, mas já fazia tempo. E, mesmo tentando me manter calma, o coração batia com uma inquietação que eu não sabia explicar.

Meus dedos brincavam nervosos com o anel de noivado. Tudo parecia fora do lugar. O choro distante de um recém nascidos vinha de outro corredor e, por um instante, pensei em Junghyun. Imaginei Taehyung ali, encostado no vidro, sorrindo para o filho com aquele olhar que misturava orgulho e ternura.

Fechei os olhos para afastar o peso do hospital. Mas quando os abri novamente, uma voz conhecida, e maldita, cortou o silêncio.

— Louise...

Meu corpo gelou inteiro. O som do meu nome dito por ele foi suficiente para paralisar meus músculos por um instante. Virei devagar, o coração disparado.

Ele estava diferente. Os olhos vermelhos, o cabelo desgrenhado. Parecia alguém que não dormia há dias. O casaco amarrotado e o cheiro de bebida denunciavam o quanto ele tinha afundado. Mas nada disso importava. O simples fato de vê-lo ali, tão perto, fez meu corpo reagir antes mesmo da razão.

— O que você está fazendo aqui? — perguntei, recuando um passo.

Ele levantou as mãos, como quem tenta acalmar um animal ferido.

— Eu só quero falar com você. Me escuta, por favor...

— Não! — gritei, a voz ecoando pelo corredor vazio. — Você não deveria estar aqui! Sai, Jimin!

Olhei para os lados. Nenhum segurança, nenhum enfermeiro. Só nós dois naquele corredor estreito, iluminado por luzes frias que pareciam pulsar junto com meu medo.

— Louise, me deixa explicar. — A voz dele falhava. — Eu não vim pra te machucar, eu juro. Eu só... — Ele deu um passo à frente.

Recuei. O ar me faltava. O som dos meus sapatos no chão ecoava alto demais, e o desespero começou a tomar conta. Eu sabia que se ele chegasse perto demais, eu desabaria.

— Não tem mais nada pra você dizer! — exclamei, sentindo as lágrimas queimarem. — Você me prendeu, Jimin! Você me tirou da minha filha!

Ele fechou os olhos, pressionando as têmporas. Eu sei. Eu sei que errei. Eu tô pagando por isso todos os dias. Mas, por favor, me escuta... eu precisava te ver.

A raiva se misturou ao medo, e algo em mim gritou pra correr. Sem pensar, virei as costas e disparei pelo corredor. Meus passos ecoaram pelo piso frio, o som dos saltos misturado com minha respiração ofegante. Ouvi ele me chamar, correndo atrás.

— Louise, espera!

Mas eu não ia esperar. O coração parecia rasgar o peito. Virei no primeiro corredor lateral, depois em outro, e o hospital ficou parecendo um labirinto sem saída. As luzes piscavam, o som de vozes distantes sumia. Só restava o som dos meus próprios passos... e o dele, cada vez mais perto.

As lágrimas me cegavam. Eu tropecei numa maca vazia encostada no canto, apoiei a mão na parede e continuei correndo, ofegante. Encontrei uma porta com uma plaquinha de acesso restrito e a empurrei com força.

Era um pátio lateral, um lugar frio, úmido, deserto. O vento cortou meu rosto, e por um instante achei que tivesse escapado. Mas a porta se abriu de novo atrás de mim.

OBSESSÃO Histórias para pegar e não largar. Descubra agora