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Kim Taehyung


— Chegou. — Ji-hoon fechou a porta do meu escritório devagar e jogou a pasta preta sobre a mesa. — Relatório completo, como você pediu.

Parei de digitar. Fechei o notebook. Olhei pra pasta como se ela fosse uma bomba prestes a explodir.

— Tudo mesmo? Consultas, ligações, endereço, rotina?

— Absolutamente tudo. Falei com o gerente da clínica onde ela faz o pré-natal, puxamos as câmeras de segurança da última consulta, e eu consegui o nome do obstetra. Tá tudo aí dentro.

Abri a pasta. Uma por uma, fui puxando as folhas. Receitas médicas, cópias de agenda, horários de consulta, notas fiscais de farmácia.

— Quase seis meses... — sussurrei, passando o dedo por cima da cópia da ultrassonografia.

Ji-hoon se encostou na parede e cruzou os braços.

— Ela não te procurou nenhuma vez, Taehyung. E o Jimin também sumiu da vida dela. Só tá indo na clínica, comprando vitamina e indo pra casa. Nada além disso.

— Não é isso que me incomoda — murmurei, ainda lendo os documentos. — É o silêncio. Carla nunca foi de sumir, nunca foi de baixar a cabeça.

— Então por que não liga pra ela de uma vez?

— Porque eu não quero ouvir a voz dela me dizendo que tá esperando um filho meu, que quer ser minha mulher.

Ji-hoon ficou calado por uns segundos.

Peguei a folha com o nome do obstetra. Clínica particular na zona nobre.

— Esse médico... ele parece ser daqueles que se vendem fácil?

Ji-hoon franziu a testa.

— Vende, sim. Já teve um caso de falsificação de laudo que abafaram. Um babaca com boa reputação e péssimo caráter.

— Ótimo. Vamos usar isso. Quero que você vá até ele, mas nada de ameaçar logo de cara. Vai com calma. Mostra que a gente sabe quem ele é, onde ele trabalha, quem é a esposa dele. Mas com elegância.

— Entendi.

— E depois, propõe o que eu quero. Quero que ele sugira pra Carla um exame, desses que fingem que é protocolo da clínica. Pode falar que é novo, obrigatório. Qualquer merda.

— Exame de DNA?

— Sim. No pré-natal com coleta do meu material genético. A gente leva a amostra, você entrega pra ele antes. Ele vai fingir que é da clínica. A Carla não pode suspeitar de nada.

— E se ela se recusar?

— Ela não vai. Carla tá vulnerável. E esse filho é a única coisa que a mantém relevante no mundo dela.

Ji-hoon caminhou até a mesa e puxou uma cadeira.

— E se o filho for seu?

Respirei fundo. Minha garganta fechou por um segundo. Me recostei na cadeira.

— Aí a gente fala de novo sobre decisões.

— E se não for?

— Aí Carla tá fora da minha vida de vez.

Ji-hoon me olhou por alguns segundos. O silêncio ficou pesado.

— Ainda tá pensando em encontrar Louise?

— Não. Ela me processou para conseguir o divórcio, sem me dar a chance de conversar e entender tudo... Então, não me interessa o que ela faz ou onde está.

OBSESSÃO Histórias para pegar e não largar. Descubra agora