O Preço de um Segredo

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Ji-Hoon



Eu tava em casa.
Uma noite chata, o tipo de noite que eu só queria silêncio.
Tirei as botas, deixei o casaco pendurado na cadeira e fui direto pra cozinha pegar uma cerveja.

Nem cheguei a abrir a garrafa, o barulho da campainha me fez parar no meio do caminho.

Toque longo, insistente.

   — Quem é? — gritei do corredor, meio irritado.

   — Sou eu — a voz era feminina, familiar, seca.

Franzi a testa.
Abri a porta.

Carla.

De salto, maquiagem forte, cabelo desgrenhado e o rosto completamente transtornado.

   — O que você tá fazendo aqui? — perguntei, travado. — Sabe que não é pra vir aqui.

Ela entrou empurrando a porta com o ombro, sem pedir permissão.

   — Eu preciso falar com você — disse rápido, com os olhos arregalados. — É urgente.

   — Urgente? — fechei a porta, sem entender. — O Taehyung sabe que você tá aqui?

   — Claro que não! — ela gritou, nervosa. — Você acha que eu teria como vir se ele soubesse?

Joguei a chave em cima da mesa.

   — Então fala logo, o que tá pegando?

Ela respirou fundo, segurou a barriga grande.  Faltava pouco pra nascer, dava pra ver pelo jeito que ela andava.

   — Eu não quero esse bebê — soltou, de uma vez.

Fiquei mudo.

   — O quê?

   — Eu não quero — repetiu, mais firme. — E eu vim te pedir ajuda.

   — Ajuda pra quê, Carla? — perguntei, já sentindo o sangue gelar.

Ela deu um passo à frente, com as mãos tremendo.

   — Eu quero me livrar disso — apontou pra própria barriga. — Eu não posso criar isso aqui.

   — Que porra é essa que você tá dizendo? — falei alto, quase sem acreditar.

   — Eu quero que você me ajude a vender — ela disse, seca, olhando nos meus olhos. — Assim que nascer.

   — O quê? — me aproximei, incrédulo. — Você enlouqueceu?

   — Eu preciso de dinheiro — disse ela, rápida. — E você tem contatos, sabe como essas coisas funcionam.

   — Carla, cala a boca — interrompi, levantando a mão. — Você tem noção do que tá falando?

   — Tenho. — cruzou os braços. — É melhor pra todo mundo.

   — Pra todo mundo? — repeti, rindo sem humor. — Você quer vender o filho de Kim Taehyung e acha que isso é “melhor pra todo mundo”?

Ela desviou o olhar.

   — E se não for dele? — soltou, quase num sussurro.

Eu congelei.

   — Como é que é?

Ela ficou quieta por alguns segundos, mexendo no cabelo, nervosa.

   — Eu tô dizendo que… talvez não seja dele.

O ar saiu do meu peito.

   — De quem, então? — perguntei, encarando. — De quem, Carla?

   — Não interessa — respondeu rápido. — O que importa é que esse bebê não pode ficar aqui.

OBSESSÃO Histórias para pegar e não largar. Descubra agora