Ji-Hoon
♧
Eu tava em casa.
Uma noite chata, o tipo de noite que eu só queria silêncio.
Tirei as botas, deixei o casaco pendurado na cadeira e fui direto pra cozinha pegar uma cerveja.
Nem cheguei a abrir a garrafa, o barulho da campainha me fez parar no meio do caminho.
Toque longo, insistente.
— Quem é? — gritei do corredor, meio irritado.
— Sou eu — a voz era feminina, familiar, seca.
Franzi a testa.
Abri a porta.
Carla.
De salto, maquiagem forte, cabelo desgrenhado e o rosto completamente transtornado.
— O que você tá fazendo aqui? — perguntei, travado. — Sabe que não é pra vir aqui.
Ela entrou empurrando a porta com o ombro, sem pedir permissão.
— Eu preciso falar com você — disse rápido, com os olhos arregalados. — É urgente.
— Urgente? — fechei a porta, sem entender. — O Taehyung sabe que você tá aqui?
— Claro que não! — ela gritou, nervosa. — Você acha que eu teria como vir se ele soubesse?
Joguei a chave em cima da mesa.
— Então fala logo, o que tá pegando?
Ela respirou fundo, segurou a barriga grande. Faltava pouco pra nascer, dava pra ver pelo jeito que ela andava.
— Eu não quero esse bebê — soltou, de uma vez.
Fiquei mudo.
— O quê?
— Eu não quero — repetiu, mais firme. — E eu vim te pedir ajuda.
— Ajuda pra quê, Carla? — perguntei, já sentindo o sangue gelar.
Ela deu um passo à frente, com as mãos tremendo.
— Eu quero me livrar disso — apontou pra própria barriga. — Eu não posso criar isso aqui.
— Que porra é essa que você tá dizendo? — falei alto, quase sem acreditar.
— Eu quero que você me ajude a vender — ela disse, seca, olhando nos meus olhos. — Assim que nascer.
— O quê? — me aproximei, incrédulo. — Você enlouqueceu?
— Eu preciso de dinheiro — disse ela, rápida. — E você tem contatos, sabe como essas coisas funcionam.
— Carla, cala a boca — interrompi, levantando a mão. — Você tem noção do que tá falando?
— Tenho. — cruzou os braços. — É melhor pra todo mundo.
— Pra todo mundo? — repeti, rindo sem humor. — Você quer vender o filho de Kim Taehyung e acha que isso é “melhor pra todo mundo”?
Ela desviou o olhar.
— E se não for dele? — soltou, quase num sussurro.
Eu congelei.
— Como é que é?
Ela ficou quieta por alguns segundos, mexendo no cabelo, nervosa.
— Eu tô dizendo que… talvez não seja dele.
O ar saiu do meu peito.
— De quem, então? — perguntei, encarando. — De quem, Carla?
— Não interessa — respondeu rápido. — O que importa é que esse bebê não pode ficar aqui.
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OBSESSÃO
Fiksi UmumTaehyung, um poderoso mafioso, sentia um vazio desde a morte de sua esposa. Ele tentou preencher esse vazio com dinheiro, poder e mulheres, mas nada parecia funcionar. Até que um dia seus olhos cruzaram com os de Louise, uma jovem com uma semelhança...
