Surpresas 2

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Louise

— Mãe? — empurrei o portão devagar, já ouvindo a voz dela vindo da cozinha. — Sou eu.

— Entra, filha. Tá tudo aberto aí. — a voz dela veio abafada, entre o barulho da frigideira e de rádio ligado bem baixinho com alguma música antiga.

Entrei e fui direto pra cozinha, sentindo aquele cheiro de café passado na hora, misturado com pão na chapa e alguma coisa fritando.

— Minha filha... — ela se virou com o avental sujo de ovo, me abraçando com a mão livre. — Que saudade. Você tá bem? Como foi a viagem? E essa barriga, hein?

Dei risada, encostando no batente da porta.

— Foi tranquilo... tirando o enjoo no avião. Mas a gente chegou bem. E sobre a barriga... crescendo. Jimin disse que a menina vai puxar meu nariz, ele tá todo bobo.

— E vai mesmo. — meu pai apareceu atrás de mim, limpando a mão na calça de moletom. — O genro bonitão vai ficar babando nessa menina. Pode escrever.

— Pai... — rolei os olhos, mas fui abraçar ele também. — Tava com saudade de vocês.

— E a gente de você. — ele me apertou. — Senta aí. Vai querer pão com ovo?

— Claro. E café também. — puxei a cadeira, ajeitando a blusa que já tava meio justa. — Eu precisava disso hoje.

— Como assim? — minha mãe colocou meu prato na mesa, se sentando logo depois. — Aconteceu alguma coisa?

— Não, nada grave. Só... cansaço mesmo. Essas coisas de pré-natal, mudança, casa nova... É muito detalhe, sabe? E eu não consigo parar de pensar se vai dar tudo certo.

— Vai sim. — minha mãe pegou minha mão. — Você tá fazendo tudo direitinho. E tá com um bom marido do lado. O Jimin parece um homem responsável. E gosta de você.

— Ele é... carinhoso. Preocupado. Só é meio intenso às vezes, sabe? Quer cuidar de tudo. Decidiu saber o sexo da bebê, mesmo eu querendo esperar. — falei mordendo o pão.

— Ah, esses homens... — meu pai comentou, rindo de canto. — Sempre querem meter o bedelho. Mas pelo menos ele tá por perto, né? Não te deixou fazer tudo sozinha.

— Isso é verdade. — suspirei. — Ele tá tentando muito ser presente. Organizou o quarto da bebê, ficou horas escolhendo berço, essas coisas.

— E você? Tá se sentindo segura com ele? — minha mãe perguntou, olhando nos meus olhos.

— Tô. Quer dizer... tô tentando. Eu só... às vezes me pego pensando nas coisas que vivi antes. — fui sincera. — Eu tento seguir em frente, mas tem dias que o passado fica martelando.

Meu pai se ajeitou na cadeira, coçando a barba.

— Isso é normal, filha. Coração não vira chave assim, do nada. Mas você fez o que achou melhor. Agora tem que cuidar de você e da sua filha. É isso que importa.

— Obrigada, pai. — sorri pequeno. — Eu precisava ouvir isso.

Minha mãe levantou e pegou uma pastinha que tava no balcão.

— Trouxe as fotos da ultrassonografia?

— Trouxe. — tirei o envelope da bolsa e entreguei a ela. — A médica disse que tá tudo perfeito. Coraçãozinho forte, tamanho certo. Já tô de quase seis meses.

— Olha só esse narizinho! — minha mãe mostrou pro meu pai. — Igualzinho o dela, olha!

— E esses pezinhos... Vai ser danada igual você era. Vai correr pela casa, subir no sofá, bagunçar tudo. — meu pai riu, com um brilho nos olhos.

OBSESSÃO Histórias para pegar e não largar. Descubra agora