Bom dia filho

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Kim Taehyung


Acordei antes do sol nascer. Dormi mal de novo. Carla ronca leve quando vira de lado. A barriga dela já tá marcando bem... mas ainda assim, ela não demonstra o menor interesse nisso.

Levanto. Pego o celular. Mando uma mensagem pra Diana:

> Leva dois cafés no quarto da Carla. Fruta, suco e pão também. Eu já tô indo.

Jogo um pouco de água no rosto, ajeito o cabelo com a mão mesmo. Nem olhei no espelho. Tô com preguiça de tudo hoje.

Abro a porta devagar, andando pelo corredor silencioso. O clima naquela casa sempre tá... estranho. A Carla nunca foi alguém fácil, mas de uns tempos pra cá... ela só reclama, evita conversa, faz birra como se tivesse cinco anos.

Entro no quarto dela sem bater. Tá deitada ainda, de costas.

— Carla. — minha voz é baixa. Só pra avisar mesmo que cheguei.

Ela não responde.

— A Diana tá trazendo o café. — encosto na cômoda, cruzo os braços. — Não dormiu bem?

Ela vira devagar, olhos meio fechados. A voz arrastada.

— Tô com dor de cabeça, Taehyung. Não fala alto.

— Tô falando normal. — respondo calmo, sem paciência mas tentando não demonstrar.

Ela passa a mão na testa e fecha os olhos de novo.

Silêncio.

— A gente precisa conversar sobre o enxoval. — falo. — Tô pensando em levar você naquela loja em Busan no fim de semana. Aquela que só vende coisa importada. Se quiser chamar alguém pra ir junto, tudo bem.

Ela faz uma careta e solta um suspiro.

— Taehyung, eu tô com dor. Não quero pensar nisso agora.

— Não vai durar o dia todo essa dor. — falo firme. — Já passou da hora da gente resolver isso.

— A gente vai. Mês que vem. Tá? — ela fecha os olhos de novo. — Eu só quero dormir agora.

— Mês que vem? — solto uma risada curta. — Você já vai estar quase parindo, Carla. Pelo amor de Deus.

Ela se irrita e vira de lado.

— Eu falei que não tô bem. Não dá pra esperar?

Respiro fundo. Passo a mão no rosto.

— Dá. Tudo dá. Só não entendo essa tua falta de interesse. É teu filho também.

— Eu sei que é meu filho, Taehyung. — rebate seca. — Mas eu tô cansada. Eu sou a grávida aqui, lembra?

Nesse momento Diana bate na porta, entra sem esperar resposta e deixa a bandeja sobre a mesinha.

— Pode deixar. Obrigado. — digo, e ela sai.

Sento na ponta da cama. Começo a preparar o café dela. Pão com requeijão, suco de laranja, um comprimido pra dor de cabeça.

— Come alguma coisa. Vai te fazer bem. — estendo o copo.

Ela se senta devagar, cara amassada, os olhos no nada.

— Me dá esse suco logo. — pega da minha mão sem olhar.

— Pensou em algum nome? — pergunto.

Ela para no meio do gole. Olha pra frente. Silêncio.

— Não. — responde curta.

OBSESSÃO Histórias para pegar e não largar. Descubra agora