TAEHYUNG
♧
— Você tem certeza de que não viu nada de estranho nos últimos dias? Nenhuma movimentação incomum, nenhum olhar atravessado, nenhuma conversa fora do lugar?
Minha voz cortava o silêncio da sala como uma navalha. Ji-hoon estava sentado na minha frente, as mãos entrelaçadas sobre os joelhos, postura reta. Ele sabia que quando eu falava assim, era porque não aceitava respostas vagas.
— Verifiquei com Amanda, senhor. Ela também está desconfiada de Carla. Mas não temos provas... ainda.
— Não quero desconfianças, Ji-hoon. Quero fatos. Provas. Prints. Vídeos. Registros. Conversas gravadas. E quero isso rápido. — Me levantei da poltrona e caminhei até a janela da minha sala, observando a cidade lá fora. — Alguém tentou sabotar minha esposa. E se eu descobrir quem foi, essa pessoa vai pagar com juros.
— Já coloquei dois homens para monitorar os passos da Carla. E também estamos acessando o servidor da boate pra verificar câmeras e histórico de navegação dos computadores. Se tiver algo ali, vamos encontrar.
— Ótimo. — Virei de volta pra ele, o olhar firme. — Quero um relatório em 24 horas. E que ninguém desconfie de nada. Essa investigação é interna. Discreta. Se vazar... você sabe o que acontece.
Ele assentiu, sem hesitar.
— Sim, senhor.
— Agora saia. Tenho outro assunto pra resolver.
Assim que a porta se fechou atrás de Ji-hoon, abri o cofre embutido na parede e peguei a Glock personalizada. Destranquei a gaveta da escrivaninha e coloquei a arma ali, por precaução. Nunca se sabe.
[...]
O carro parou em frente ao galpão, um antigo depósito. Desci com o paletó aberto, revelando a camisa escura por baixo e o coldre preso à cintura.
— Ele tá lá dentro? — perguntei ao segurança da entrada.
— Tá sim, senhor. Algemado, como pediu.
Entrei no galpão com passos pesados. O lugar cheirava a mofo e ferrugem. No centro, um homem de terno barato estava amarrado a uma cadeira metálica, as mãos presas atrás do encosto, o rosto já um pouco inchado. Seus olhos se arregalaram quando me viu chegando.
— Dom... Kim Taehyung... olha, isso tudo é um mal-entendido. Eu já tava organizando o pagamento.
— Organizando? — Minha risada foi seca. — Há semanas você me deve. E ainda teve a cara de pau de tentar negociar com outro grupo pelas minhas costas?
— Não, não, eu juro, não foi assim...
— Cala a boca. — Me aproximei lentamente, como um predador prestes a dar o bote. — Eu te dei oportunidades. Te dei prazos. Você brincou com a minha paciência.
Puxei uma cadeira e sentei de frente pra ele, sem tirar os olhos de seu rosto pálido.
— Agora me diz... quem foi que te deu coragem de me desafiar?
— Eu só... achei que podia... renegociar. Te pagar depois, sabe? Tá difícil pra todo mundo...
— "Difícil". — Minha voz saiu baixa, quase entediada. — Sabe o que é difícil? Difícil é manter o controle de um império com ratos como você tentando morder os fios. Difícil é manter a ordem quando merdas como você acham que podem fazer as próprias regras.
Ele engoliu seco, tremendo.
— Eu posso conseguir o dinheiro! Me dá mais dois dias...
— Não. — Me levantei devagar. — Você vai me dar as informações que eu quero. E depois... vai servir de exemplo.
VOCÊ ESTÁ LENDO
OBSESSÃO
Ficção GeralTaehyung, um poderoso mafioso, sentia um vazio desde a morte de sua esposa. Ele tentou preencher esse vazio com dinheiro, poder e mulheres, mas nada parecia funcionar. Até que um dia seus olhos cruzaram com os de Louise, uma jovem com uma semelhança...
