A guerra já começou

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Louise

— A gente já tá quase chegando — disse Jimin, enquanto diminuía a velocidade do carro, os olhos presos na portaria do condomínio.

Eu apenas assenti com a cabeça. Não queria conversar muito. Minha cabeça tava confusa. O voo tinha sido longo, a gravidez avançando cada dia mais... e meu coração? Um caos. Deixei tudo pra trás. Minha família, meu país, minha história. Agora eu tava voltando pra Coreia... como esposa do Jimin.

O segurança da guarita nos reconheceu e abriu o portão. Jimin deu uma buzinada leve como cumprimento.

— É um dos melhores condomínios da região. Segurança reforçada, vizinhança tranquila... só gente rica aqui. — Ele lançou um olhar pra mim. — A gente vai estar bem.

Olhei pela janela. Mansões gigantes, jardins impecáveis, carros importados nas garagens. Era tudo bonito. Mas bonito não significava acolhedor.

— A casa é nossa, tá? Eu reformei tudo nos últimos meses. Não tem nada que você vá precisar mudar. Ou melhor... se quiser mudar, pode mudar. — Ele sorriu. — Mas acho que você vai gostar.

Ele estacionou o carro em frente a uma casa de fachada clara, com colunas brancas, portas de madeira escura e iluminação suave no jardim.

— Chegamos. — desligou o motor, olhou pra mim e colocou a mão na minha perna. — Tá pronta?

— Não sei — respondi com sinceridade.

Ele riu leve, como se minha dúvida fosse charme.

— Vamos lá. — Saiu do carro, deu a volta e abriu minha porta.

Coloquei os pés pra fora devagar, com cuidado. Minhas costas estavam doendo por causa da viagem. Ele estendeu a mão, e eu segurei. Caminhamos até a porta. Antes de abrir, ele virou pra mim.

— Fecha os olhos.

— Sério?

— Fecha, Louise.

Suspirei e fechei. Ele girou a chave, empurrou a porta e disse:

— Pode abrir agora.

Abri os olhos.

O hall de entrada era amplo, o chão de mármore branco reluzente, paredes em tons claros, escadas curvas levando ao andar de cima. Um vaso com flores frescas decorava o centro do ambiente, e o cheiro de casa nova ainda tava presente.

— É... grande — comentei.

— Vem, vou te mostrar o resto.

Ele foi me puxando pela mão, mostrando os cômodos: sala de estar com lareira e sofá enorme, cozinha toda equipada com ilha no meio, varanda com vista pro jardim dos fundos, piscina aquecida, uma biblioteca no segundo andar... E, por fim, o quarto principal.

— Aqui vai ser nosso quarto.

Empurrou a porta devagar. A cama era imensa, lençóis brancos impecáveis, uma poltrona de amamentação perto da janela, e ao lado... um pequeno berço branco com detalhes dourados.

Fiquei em silêncio.

— Eu mandei montar quando soube. Achei melhor já deixar pronto. E é neutro, porque... né. — Ele riu. — Mesmo a gente sabendo que é uma menina agora.

— Eu não queria saber... — falei baixo, andando até o berço e tocando levemente a grade.

— Eu sei... mas eu precisava. — Ele veio até mim. — Sou o pai, Louise. Eu tenho o direito de saber.

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