Carla
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Merda, tá frio.
Virei de lado, puxei o lençol até o queixo e tentei voltar a dormir. Não sei que horas eram. O ventilador girava devagar no teto, fazendo aquele barulho irritante de motor velho. Meus pés estavam gelados, e o ar parecia mais úmido que o normal.
Foi aí que senti.
Molhado. Entre as pernas.
No começo achei que era suor. Já tinha acontecido. Estresse, pesadelo, ansiedade. Dormir mal era rotina. Mas aquela umidade era diferente. Quente demais pra ser só suor. E escorria. Lentamente. Descendo pela parte interna da minha coxa.
Fiquei parada. De olhos fechados. Fingindo que não era nada.
"Deve ser algum corrimento... ou vai ver eu me mijei dormindo, sei lá..."
Levantei a perna devagar e senti. Molhado de novo. Mais forte. Mais quente.
Apertei os olhos e respirei fundo.
Minha mão desceu por debaixo do cobertor, por dentro do short de algodão, até alcançar o meio das pernas. Os dedos se enfiaram no tecido úmido da calcinha.
Molhado. Muito. Pegajoso.
E quente demais.
Puxei a mão de volta e levei até a frente do rosto, mesmo sem coragem de olhar. No segundo que vi... travei.
Sangue.
Vermelho escuro. Pesado. Fresco.
— Não... não, não, não... — sussurrei, sentando na cama num pulo.
Acendi o abajur. A luz amarelada iluminou o quarto e confirmou tudo: o lençol manchado, o colchão sujo. Sangue por toda parte.
Levei a mão à barriga, instintivamente.
— Ai, caralho... não. Por favor, não. — Falei pra ninguém.
Levantei da cama meio torta, com a calcinha pesada, escorrendo pelas coxas. Fui andando até o banheiro cambaleando, suando frio, o coração batendo rápido demais, sem ritmo.
Abaixei o short com dificuldade e vi o estado da calcinha. Joguei no chão.
Me olhei no espelho. Pálida. Cabelos grudados na testa. Boca seca.
— Respira, Carla... respira... — tentei falar pra mim mesma, mas era inútil.
Sentei na privada com as pernas abertas, vendo o sangue escorrer lentamente até a água.
— Filho da puta... — murmurava, sem saber exatamente pra quem. Deus, o destino, Taehyung, ou eu mesma.
O celular estava no criado-mudo. Voltei até o quarto, manchando o chão, as pernas tremendo. Peguei o aparelho com a mão suja de sangue.
Não tinha pra quem ligar.
Minha mãe? Morta.
Minhas amigas? Nenhuma de verdade.
O pai? Era ele. Taehyung.
Travei. Olhei o nome dele ali nos favoritos. O coração pulava dentro do peito.
Será que ele ia atender? Será que ele ia rir? Será que ia ignorar?
"Ele me odeia..."
Mas era a única pessoa.
Cliquei.
Chamando.
Uma vez.
Duas.
Três.
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OBSESSÃO
General FictionTaehyung, um poderoso mafioso, sentia um vazio desde a morte de sua esposa. Ele tentou preencher esse vazio com dinheiro, poder e mulheres, mas nada parecia funcionar. Até que um dia seus olhos cruzaram com os de Louise, uma jovem com uma semelhança...
