Bônus - Surpresas

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JI-HOON


Eu limpei o sangue das luvas com um pano sujo. Joguei tudo no porta-malas do carro e bati a tampa com força.

O celular vibrou no bolso.

[WhatsApp – Ko-Yun]

"Oppa, será que dá pra você passar na sorveteria do shopping e comprar um sorvete de dois litros pro Doyun? Ele tá enchendo o saco desde ontem."

Sorri. Abri a mensagem e respondi rápido.

"Pro meu garotão eu nao nego nada, ele sabe. Vou pedir e mandar um motoboy deixar aí."

Ela mandou um sticker bobo. Guardei o celular no bolso e entrei no carro.

— Sorvete depois de uma tarde de tortura... bonito contraste, Ji-Hoon — murmurei sozinho, ligando o carro.

Cheguei no shopping. Estacionei rápido e fui direto pra sorveteria. Estava quase vazia, só uma mãe com duas crianças e uma adolescente no caixa.

Me aproximei.

— Boa tarde.

— Boa tarde! Vai querer qual sabor, senhor?

— Dois litros de flocos. Embalado direitinho pra entrega. Tem como chamar um motoboy?

— Tem sim. A gente trabalha com aplicativo parceiro. Só me passa o endereço.

Passei o endereço da casa da minha irmã.

Ela começou a digitar no tablet. Enquanto isso, meu olhar bateu na parede ao lado da máquina de casquinhas.

Fotos dos funcionários do mês. Todas com molduras simples.

A terceira da esquerda pra direita...

Parei de respirar por um segundo.

— Senhora kim? — sussurrei.

Ela tava ali. Uniforme azul da sorveteria, sorriso pequeno, cabelo preso, aquela carinha envergonhada que eu lembrava bem.

— Senhor?

— Hm?

— Quer mais algum sabor além do flocos?

— Não, não... só isso. — apontei discretamente pra parede. — Aquela ali... ela ainda trabalha aqui?

A menina olhou pra onde eu apontava.

— Ah, a Louise? Não. Ela só ficou umas semanas. Era nova.

— Por quê? Foi demitida?

— Não... Ela pediu demissão. Disse pro gerente que ia se mudar pra outro país. Do nada. Nem se despediu da gente, só falou que ia embora.

— Ela chegou a dizer pra onde ia?

— Que eu saiba, não. Só entregou o uniforme e foi. Ela era bem quietinha, sabe?

— Uhum...

— Foi uma pena. A gente gostava dela.

Assenti com a cabeça, agradeci e esperei em silêncio o sorvete ficar pronto.

Cinco minutos depois, ela me mostrou a embalagem lacrada. Fiz o pagamento no caixa.

— Já tá indo pro endereço, senhor.

— Obrigado.

Saí da sorveteria, celular já na mão.

[WhatsApp – Chefe KTH]

"Preciso falar com urgência. Tô indo pra boate. Te encontro lá."

Guardei o celular e continuei andando até o carro, com o peito pesado.

Guardei o celular e continuei andando até o carro, com o peito pesado

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