JI-HOON
◇
Eu limpei o sangue das luvas com um pano sujo. Joguei tudo no porta-malas do carro e bati a tampa com força.
O celular vibrou no bolso.
[WhatsApp – Ko-Yun]
"Oppa, será que dá pra você passar na sorveteria do shopping e comprar um sorvete de dois litros pro Doyun? Ele tá enchendo o saco desde ontem."
Sorri. Abri a mensagem e respondi rápido.
"Pro meu garotão eu nao nego nada, ele sabe. Vou pedir e mandar um motoboy deixar aí."
Ela mandou um sticker bobo. Guardei o celular no bolso e entrei no carro.
— Sorvete depois de uma tarde de tortura... bonito contraste, Ji-Hoon — murmurei sozinho, ligando o carro.
Cheguei no shopping. Estacionei rápido e fui direto pra sorveteria. Estava quase vazia, só uma mãe com duas crianças e uma adolescente no caixa.
Me aproximei.
— Boa tarde.
— Boa tarde! Vai querer qual sabor, senhor?
— Dois litros de flocos. Embalado direitinho pra entrega. Tem como chamar um motoboy?
— Tem sim. A gente trabalha com aplicativo parceiro. Só me passa o endereço.
Passei o endereço da casa da minha irmã.
Ela começou a digitar no tablet. Enquanto isso, meu olhar bateu na parede ao lado da máquina de casquinhas.
Fotos dos funcionários do mês. Todas com molduras simples.
A terceira da esquerda pra direita...
Parei de respirar por um segundo.
— Senhora kim? — sussurrei.
Ela tava ali. Uniforme azul da sorveteria, sorriso pequeno, cabelo preso, aquela carinha envergonhada que eu lembrava bem.
— Senhor?
— Hm?
— Quer mais algum sabor além do flocos?
— Não, não... só isso. — apontei discretamente pra parede. — Aquela ali... ela ainda trabalha aqui?
A menina olhou pra onde eu apontava.
— Ah, a Louise? Não. Ela só ficou umas semanas. Era nova.
— Por quê? Foi demitida?
— Não... Ela pediu demissão. Disse pro gerente que ia se mudar pra outro país. Do nada. Nem se despediu da gente, só falou que ia embora.
— Ela chegou a dizer pra onde ia?
— Que eu saiba, não. Só entregou o uniforme e foi. Ela era bem quietinha, sabe?
— Uhum...
— Foi uma pena. A gente gostava dela.
Assenti com a cabeça, agradeci e esperei em silêncio o sorvete ficar pronto.
Cinco minutos depois, ela me mostrou a embalagem lacrada. Fiz o pagamento no caixa.
— Já tá indo pro endereço, senhor.
— Obrigado.
Saí da sorveteria, celular já na mão.
[WhatsApp – Chefe KTH]
"Preciso falar com urgência. Tô indo pra boate. Te encontro lá."
Guardei o celular e continuei andando até o carro, com o peito pesado.
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OBSESSÃO
Fiksi UmumTaehyung, um poderoso mafioso, sentia um vazio desde a morte de sua esposa. Ele tentou preencher esse vazio com dinheiro, poder e mulheres, mas nada parecia funcionar. Até que um dia seus olhos cruzaram com os de Louise, uma jovem com uma semelhança...
