Sonho ou realidade?

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Kim Taehyung

dias depois...

— Deita aí, Carla. A doutora já tá vindo — falei, ajeitando a manga da minha camisa e observando ela se acomodar na maca.

Ela fez uma careta e resmungou baixinho.

— Essa merda desse gel é sempre gelado, hein?

— Reclama menos. Vai logo.

Ela levantou a blusa, e a barriga redonda apareceu. Já não dava mais pra ignorar, mesmo que eu quisesse. Tava ali, crescendo. Não era uma ideia abstrata, não era um plano ou uma consequência. Era real.

A médica entrou, cumprimentou a gente e foi direto ao ponto. Colocou as luvas, preparou o aparelho, ligou a tela.

— Vamos ver como esse bebê tá se comportando hoje.

— Tá chutando feito doido — Carla disse, soltando um suspiro cansado. — A noite inteira me chutando.

— Normal nessa fase — respondeu a médica, concentrada.

Eu tava de pé, do lado da cama. As luzes apagadas, só a luz azulada do monitor. Um som baixo invadiu a sala, meio embolado.

— O que é isso? — perguntei.

— Coração dele — a médica respondeu. — O bebê.

O som aumentou, forte, constante, como um tambor batendo dentro de um túnel.

Eu senti meu maxilar travar. Não falei nada.

A médica olhou pra mim de relance, depois virou a tela mais pra mim.

— Aqui ó, senhor Kim. Aqui está ele.

E então eu vi.

Não era mais só um borrão estranho. Tinha formato. Dessa vez eu não o ignorei como da primeira vez.

Tinha cabeça, costas, braço. Um pé se mexia, como se estivesse chutando alguma coisa invisível.

— Ele tá grande, né? — Carla soltou.

A médica confirmou.

— Ele está ótimo. Já entramos na 24ª semana. Batimentos normais, peso dentro do esperado... ah, e hoje já consigo dizer o sexo com certeza, se quiserem saber.

Carla virou o rosto pra mim. — Você quer saber?

Demorei meio segundo.

— Fala logo.

A médica sorriu de canto.

— É um menininho.

Silêncio.

Minhas mãos estavam nos bolsos, mas uma delas tremia levemente. Eu tirei, fechei em punho, respirei fundo.

Um menino.

Meu filho.

Minha continuação.

A médica continuou explicando coisas técnicas, mas eu não ouvi mais nada direito. Fiquei ali, olhando praquele pequeno corpo se mexendo naquela tela.

Carla me cutucou.

— O que foi? Você ficou pálido.

— Cala a boca, Carla.

— Ué.

— Só cala a boca.

Ela riu baixinho.

— Tá emocionado, é?

OBSESSÃO Histórias para pegar e não largar. Descubra agora