Dose de saudade

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Kim Taehyung

Eu tava sentado na poltrona do escritório, lendo uns papéis que nem me interessavam tanto assim. O som do relógio era a única coisa que cortava o silêncio. Tinha um copo de tequila pela metade na minha frente.

De repente, a porta abriu com um tranco. Antes mesmo de eu reagir, ela se fechou de novo, com força. Eu ergui a cabeça, pronto pra perguntar o que tava acontecendo.

Mas aí, vi ela ali parada, me olhando como se tivesse prendido a respiração o caminho todo até aqui. Os olhos dela fixos em mim, vermelhos, como se tivesse chorado. A mão dela ainda na maçaneta, o peito subindo e descendo rápido.

— Louise… — eu ia falar, mas não deu tempo.

Ela veio na minha direção rápido, sem me dar espaço pra entender nada. Quando percebi, ela já tava no meu colo, segurando meu rosto com força e me beijando.

Aquela boca que eu não sentia fazia tempo. O gosto dela misturado com o sal das lágrimas. Minha mão foi direto pra cintura dela, puxando mais pra perto, como se fosse possível aproximar mais.

O beijo não foi calmo. Foi urgente, pesado, como se cada segundo longe tivesse virado fome. Eu sentia ela tremer, sentia a respiração dela falhar, e cada vez que ela se afastava um pouco pra respirar, voltava com mais força.

— Eu… — ela tentou falar, mas eu segurei a nuca dela e não deixei. — Taehyung…

— Fica quieta — falei baixo, entre um beijo e outro.

Ela respirou fundo, mas não saiu do meu colo. O rosto colado no meu, os olhos fechados. Minha mão subiu pelas costas dela, sentindo o tecido do casaco, e depois o pescoço quente.

— Eu senti sua falta… — ela disse tão baixo que parecia que tinha medo de ouvir a própria voz.

Fechei os olhos um segundo, segurando firme na cintura dela.

— Não fala isso como se fosse novidade. Eu senti a sua todos os dias.

Ela mordeu o lábio, me olhando. O cabelo caía na frente do rosto, e eu tirei, passando atrás da orelha.

— Eu precisava ver você… — ela continuou.

— Então olha — falei, segurando o queixo dela e fazendo ela me encarar. — Eu tô aqui.

Ela respirou fundo, e vi os olhos encherem de novo. Antes que caísse, eu beijei outra vez. Dessa vez mais lento, como se a gente estivesse tentando memorizar cada detalhe de novo.

A mão dela apertava minha camisa, como se tivesse medo que eu sumisse. Eu não ia soltar. Não agora. Não depois de tanto tempo.

— Por que você veio? — perguntei, encostando a testa na dela.

Ela fechou os olhos, demorou uns segundos pra responder.

— Porque… eu não aguentava mais ficar longe.

Senti algo no peito que não sei explicar. Raiva, saudade, alívio. Tudo junto. Minha mão desceu pra coxa dela, sentindo o tremor no corpo dela.

— Você tá aqui agora. — falei firme.

Ela me olhou rápido, como se quisesse acreditar naquele momento.

— Eu… — ela começou, mas a voz falhou. Então respirou fundo e encostou o rosto no meu pescoço, inspirando fundo, como se quisesse guardar o cheiro. — Eu não pensei. Eu só vim.

O silêncio tomou conta por alguns segundos. Só dava pra ouvir a respiração dos dois. A mão dela subia e descia pelas minhas costas, e eu passava o polegar no rosto dela, limpando as lágrimas que teimavam em cair.

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