Italianos

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JIMIN

A entrada do casarão ficava escondida atrás de um vinhedo, nos arredores de Firenze. Quem olhasse de fora, via apenas uma propriedade antiga, com colunas romanas e escadas de pedra. Mas por dentro... era outra história.

Desci do carro, ajeitei o paletó e olhei em volta antes de bater duas vezes na porta de madeira maciça.

— Buongiorno. — Um dos capangas me recebeu com um leve aceno de cabeça. — O Don já está esperando.

Assenti, seguindo pelo corredor escuro. Os quadros nas paredes eram de homens antigos da família. Todos com o mesmo olhar severo. O cheiro era de vinho, pólvora e tempo.

— O Don está no salão principal — informou outro homem, abrindo a porta para mim.

Lá estava ele. Don Marcello De Santis. Sentado na poltrona de couro, com um copo de conhaque na mão, e aquele anel de rubi no dedo — símbolo de que ainda era o chefe da Famiglia.

— Finalmente — ele disse, sem levantar o olhar. — Pensei que tinha se esquecido de onde veio.

— Só estava organizando as coisas com minha noiva — respondi, parando em frente a ele. — Tudo sob controle.

— Sua noiva... Louise, não é?

— Sim, e em breve, Park Louise.

— Ela já sabe quem você é de verdade?

Fiquei em silêncio por dois segundos.

— Ela sabe o suficiente.

Ele riu, aquele riso grave e curto.

— Bom. Porque em dois meses, você vai assumir o meu lugar, garoto. E isso aqui — ele apontou ao redor — vai ser tudo seu.

— Estou pronto, Don.

— É o que veremos. Sente-se. Temos assuntos a resolver.

Me acomodei em uma das cadeiras de frente pra ele.

— As rotas de Marselha voltaram a dar problema. A polícia fechou o porto semana passada.

— Vou resolver. Tenho um contato novo na alfândega.

— E sobre o carregamento de Praga?

— Chega no fim do mês. Mandei dois homens escoltarem. Ninguém mexe nisso sem minha ordem.

— Você está mesmo levando isso a sério, hein? — ele me observou. — Mas me diga uma coisa, Park Jimin... o que vai acontecer quando sua mulher descobrir quem você realmente é?

Fiquei calado.

— Quando ela souber que você matou por mim. Que você torturou. Que você mentiu pra tirar ela da mão do kim... ela ainda vai olhar pra você como olha agora?

— Isso não é da sua conta, com todo respeito.

— Claro que é. Você vai herdar essa cadeira. Tem que pensar com a cabeça, não com o coração.

— Eu tô pensando com os dois. É por isso que vai dar certo.

— Hm. Veremos.

Ele deu um gole no conhaque e então pegou uma pequena caixa de madeira. Tirou de dentro o anel da família — o verdadeiro símbolo de quem manda.

— Só vai usar isso depois de dois meses do casamento. É a regra... Não é o momento ainda. Mas tá chegando. — Ele se levantou e me encarou. — Não decepcione a Famiglia. E não deixe o amor te tornar fraco filho.

OBSESSÃO Histórias para pegar e não largar. Descubra agora