Limites

153 22 6
                                        

Kim Taehyung

O barulho das conversas dos meus homens misturava se ao som dos copos sendo deixados sobre a mesa.
Mapas, relatórios, planilhas. Tudo espalhado. O ar ali dentro era pesado, cheirava a cigarro e tensão.

    — Esse carregamento não pode atrasar de novo. — disse um dos mais antigos. — Se o navio não sair amanhã, a outra parte vai achar que estamos blefando.

    — Eu sei — respondi, sem levantar o olhar das anotações. — E é exatamente o que quero que eles pensem.

Silêncio.

Todos me olharam, sem entender.

Peguei a caneta, risquei alguns números e continuei.

    — Eles precisam achar que estamos distraídos. Só assim vamos conseguir pegar quem tá repassando informação de dentro pra fora.

O clima ficou ainda mais pesado.
Os olhares se cruzaram.

    — Tem rato aqui dentro, chefe? — alguém perguntou.

Levantei a cabeça, firme.

    — Eu não sei ainda. Mas vou descobrir.

O grupo assentiu, e um a um começou a sair, levando os papéis e os planos com eles. Quando o último fechou a porta, o silêncio tomou conta do escritório.
Fiquei só eu e o barulho da chuva começando lá fora.

Encostei na cadeira e passei as mãos no rosto. Tava tudo sob controle na máfia.
Mas dentro de mim, nada tava sob controle.

A imagem dela veio de novo, do nada...

Louise.

A última vez que a vi foi naquela tarde.
Ela entrando pela porta do meu escritório, com o coração disparado, os olhos cheios de emoção.
O jeito que ela correu até mim, o beijo, o toque… parecia que nada tinha mudado.
Mas depois, sumiu. Nenhuma ligação, nenhuma mensagem, nada.

    — Por que você não apareceu mais, meu amor? — falei baixo, como se ela pudesse ouvir.

Fiquei olhando o copo de whisky na mesa, o gelo derretendo devagar.

Desde aquele dia, eu não dormia direito.
A saudade dela vinha em ondas, junto com a raiva de não saber o motivo do silêncio.
Se tinha se arrependido, se Jimin tinha descoberto, se algo tinha acontecido.
Mas o pior era esse vazio.

Peguei o celular e olhei o número dela na tela. O polegar ficou parado em cima do botão de ligar.

Não tive coragem.

Eu sabia que se ouvisse a voz dela, não ia aguentar, ia querer invadir a casa dela e tirá-la de lá sem pensar muito.

Deixei o celular sobre a mesa, fechei os olhos por um instante.
Foi quando ouvi passos no corredor.
O barulho de chinelos ecoando de um jeito irritante, conhecido.

A porta se abriu sem bater.

   — Eu bati, você não ouviu — disse, com aquele tom forçado de doçura que me dava enjoo.

Ela entrou, com a barriga enorme, uma mão apoiada nas costas e outra segurando o celular.

    — A casa tá um tédio. E você nunca tá lá em cima, Taehyung. — Ela suspirou, dramatizando. — Esse menino vai nascer e você nem vai perceber.

Olhei pra ela, sem expressão.

   — Você quer o quê, Carla?

    — Atenção, talvez? — respondeu, irônica. — Você age como se eu fosse um peso.

OBSESSÃO Histórias para pegar e não largar. Descubra agora