Kim Taehyung
♧
O barulho das conversas dos meus homens misturava se ao som dos copos sendo deixados sobre a mesa.
Mapas, relatórios, planilhas. Tudo espalhado. O ar ali dentro era pesado, cheirava a cigarro e tensão.
— Esse carregamento não pode atrasar de novo. — disse um dos mais antigos. — Se o navio não sair amanhã, a outra parte vai achar que estamos blefando.
— Eu sei — respondi, sem levantar o olhar das anotações. — E é exatamente o que quero que eles pensem.
Silêncio.
Todos me olharam, sem entender.
Peguei a caneta, risquei alguns números e continuei.
— Eles precisam achar que estamos distraídos. Só assim vamos conseguir pegar quem tá repassando informação de dentro pra fora.
O clima ficou ainda mais pesado.
Os olhares se cruzaram.
— Tem rato aqui dentro, chefe? — alguém perguntou.
Levantei a cabeça, firme.
— Eu não sei ainda. Mas vou descobrir.
O grupo assentiu, e um a um começou a sair, levando os papéis e os planos com eles. Quando o último fechou a porta, o silêncio tomou conta do escritório.
Fiquei só eu e o barulho da chuva começando lá fora.
Encostei na cadeira e passei as mãos no rosto. Tava tudo sob controle na máfia.
Mas dentro de mim, nada tava sob controle.
A imagem dela veio de novo, do nada...
Louise.
A última vez que a vi foi naquela tarde.
Ela entrando pela porta do meu escritório, com o coração disparado, os olhos cheios de emoção.
O jeito que ela correu até mim, o beijo, o toque… parecia que nada tinha mudado.
Mas depois, sumiu. Nenhuma ligação, nenhuma mensagem, nada.
— Por que você não apareceu mais, meu amor? — falei baixo, como se ela pudesse ouvir.
Fiquei olhando o copo de whisky na mesa, o gelo derretendo devagar.
Desde aquele dia, eu não dormia direito.
A saudade dela vinha em ondas, junto com a raiva de não saber o motivo do silêncio.
Se tinha se arrependido, se Jimin tinha descoberto, se algo tinha acontecido.
Mas o pior era esse vazio.
Peguei o celular e olhei o número dela na tela. O polegar ficou parado em cima do botão de ligar.
Não tive coragem.
Eu sabia que se ouvisse a voz dela, não ia aguentar, ia querer invadir a casa dela e tirá-la de lá sem pensar muito.
Deixei o celular sobre a mesa, fechei os olhos por um instante.
Foi quando ouvi passos no corredor.
O barulho de chinelos ecoando de um jeito irritante, conhecido.
A porta se abriu sem bater.
— Eu bati, você não ouviu — disse, com aquele tom forçado de doçura que me dava enjoo.
Ela entrou, com a barriga enorme, uma mão apoiada nas costas e outra segurando o celular.
— A casa tá um tédio. E você nunca tá lá em cima, Taehyung. — Ela suspirou, dramatizando. — Esse menino vai nascer e você nem vai perceber.
Olhei pra ela, sem expressão.
— Você quer o quê, Carla?
— Atenção, talvez? — respondeu, irônica. — Você age como se eu fosse um peso.
VOCÊ ESTÁ LENDO
OBSESSÃO
Ficción GeneralTaehyung, um poderoso mafioso, sentia um vazio desde a morte de sua esposa. Ele tentou preencher esse vazio com dinheiro, poder e mulheres, mas nada parecia funcionar. Até que um dia seus olhos cruzaram com os de Louise, uma jovem com uma semelhança...
