Botando ordem

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LOUISE


Taehyung estava parado ao lado da cama, só de calça social, com uma camisa azul clara ainda aberta, revelando aquele abdômen que eu tentava, em vão ignorar todos os dias.

— Você vai mesmo usar essa camisa? — perguntei, rindo, enquanto penteava o cabelo diante do espelho.

— Por quê? Tem algo errado com ela? — ele perguntou, olhando pra peça e depois pra mim com uma expressão debochada.

— Não... quer dizer... talvez. Tá amarrotada. E você vai almoçar com meus pais, lembra?

Ele deu uma risada baixa e tirou a camisa sem a menor cerimônia.

— Então escolhe uma pra mim. Você parece mais preocupada com isso do que eu.

— É óbvio! — peguei uma outra no cabide, uma branca mais alinhada. — Toma. Essa é bem melhor.

Ele pegou a camisa e, sem o menor pudor, começou a vesti-la ali mesmo, me encarando pelo espelho.

— Tá nervosa?

— Um pouco... — admiti, pegando meu batom e tentando não corar. — Eles ainda estão se acostumando com tudo isso. Comigo casada, com meu trabalho...

— Eles sabem que você tá bem.

— Sim, sabem. E acho que vão gostar de te ver assim. Mais... humano. — sorri de lado, provocando.

Ele arqueou uma sobrancelha.

— Humano? Eu sou um bom marido, Louise.

— Agora você é. — Olhei pra ele com carinho.

Ele parou de abotoar a camisa por um segundo e me encarou.

— Você passou a dormir comigo de verdade, me ouve mais, respeita meu espaço, me ajuda com as coisas. Não me pressiona tanto...

— Você notou tudo isso, hein?

— Claro que notei. Eu moro com você, Taehyung. Eu vejo quando você tenta. E... eu gosto disso.

Ele veio até mim e segurou meu queixo com delicadeza, me olhando fundo nos olhos.

— Eu também gosto de ver você feliz, Louise.

Aquilo fez meu estômago dar um nó. Eu estava começando a sentir algo muito mais forte por ele. Algo que me deixava confusa e empolgada ao mesmo tempo.

— Vamos, antes que meu pai ache que você me sequestrou. — brinquei, me afastando.

— Tecnicamente... — ele deu de ombros, rindo.

(...)

O carro nos levou até a casa simples dos meus pais. O dia estava bonito, céu limpo, sol ameno. Meu coração batia forte conforme nos aproximávamos da entrada.

— Não vai me abandonar lá dentro, né? — Taehyung murmurou enquanto descíamos.

— Se você for legal, talvez não.

Quando minha mãe abriu a porta, já veio com um sorriso caloroso.

— Louise! Meu amor! — Ela me abraçou apertado e, em seguida, olhou para Taehyung. — E meu genro bonitão.

— Taehyung. É um prazer, senhora Erika. — Ele estendeu a mão de forma educada.

— Me chame só de Erika, por favor. — Ela aceitou o aperto e abriu passagem. — Entrem, já está tudo quase pronto.

Meu pai estava na sala, assistindo jornal. Se levantou assim que nos viu.

— Taehyung. — Disse, seco, mas cordial.

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