Haneul

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Louise Park


Tava sentada na cama, encostada na cabeceira com uns dois travesseiros me apoiando. A Haneul mamava tranquila, de olhinho fechado, mexendo só a mãozinha de leve, como se tivesse sonhando com leite. O quarto tava em silêncio, só o barulhinho de sucção que ela fazia. Eu não queria mais nada naquele momento.

Aí ouvi duas batidinhas secas na porta.

— Louise, posso? — a voz era dele. Baixa. Sem o tom autoritário de sempre. Quase... hesitante.

— Pode — respondi sem olhar, ajeitando o paninho no ombro.

Ele entrou devagar. Quando levantei os olhos, vi que tava com uma caixinha pequena na mão. Aquele tipo de presente que a gente só vê em loja cara.

— Não queria incomodar, é que... comprei uma coisinha pra ela. — Ele levantou a caixinha um pouco. — Posso?

Assenti com a cabeça e ele se aproximou. Parou ao lado da cama, olhou pra bebê e abaixou a voz.

— Ela tá bem?

— Tá. Mamando muito, dormindo pouco. Mas tá bem.

Ele sorriu pequeno, meio sem jeito, e puxou a poltrona do canto até perto da cama. Sentou devagar.

— Parece contigo, sabia?

— Ela parece com o pai — falei sem pensar.

O sorriso dele sumiu, mas ele não disse nada. Só olhou pra Haneul.

— Eu vi ela nascer, Louise.

— Eu sei.

— Aquilo mexeu comigo.

— Eu percebi.

— Nunca pensei que fosse... sei lá. Me sentir assim por um bebê que nem é meu. — Ele passou a mão pelo cabelo. — Mas eu sinto. Sinto mesmo.

— Tá tudo bem. Ela não tem culpa de nada. Se você quer gostar dela, não tem problema.

Ele respirou fundo, olhou pra caixinha de novo e abriu. Era um colarzinho dourado minúsculo, com uma pedrinha azul.

— É pra ela usar quando for maior. Mandei fazer com a data de nascimento gravada atrás.

— É bonito.

— Se você achar que não deve... tudo bem. Pode guardar pra ela usar só se quiser.

— Não. Eu vou guardar, sim. Obrigada.

Silêncio. Haneul soltou o peito por uns segundos, depois voltou a mamar. Ele observava tudo como se estivesse vendo um filme.

— Você tá bem? — ele perguntou, mais baixo.

— Cansada. Mas tô.

— Se precisar de qualquer coisa...

— Eu estou em uma maternidade, Taehyung. Meus pais tão lá fora. Eu tenho tudo que preciso aqui.

— Sei. Mas... se precisar de mais alguma coisa, qualquer coisa... Eu ainda sou seu marido, Louise.

Suspirei.

— Você é? Na sua mente né?

— Você ainda me odeia, né?

— Não.

— Não?

— Não tenho energia pra te odiar. Tô focada nela agora.

Ele assentiu, passando os dedos na perna, inquieto.

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