Refúgio

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Louise

A madrugada estava fria quando o carro finalmente parou.
As janelas escuras não deixavam ver quase nada, só o contorno das luzes da mansão ao longe. Meu corpo estava gelado, parte pelo frio, parte pelo medo que ainda pulsava dentro de mim.
Eu segurava minha filha contra o peito, protegendo o rostinho dela com a mão.

A porta se abriu, e um homem de voz firme se aproximou.

— Senhora, chegamos. — disse, abrindo espaço para mim sair.

Aquela voz… eu não conhecia. Mas a calma nela me fez respirar fundo.
Olhei em volta, vi duas mulheres vindo em minha direção, ambas vestidas como empregadas.
Elas pareciam preparadas, quase esperando por mim.

— Venha, senhora. — disse uma delas, gentil. — O senhor Kim pediu que a levássemos pra casa de hóspedes. Vai ficar tudo bem agora.

O nome dele... Kim, fez meus olhos encherem de lágrimas.
Por um instante, o peso que eu carregava pareceu diminuir.

Segui as mulheres por um caminho estreito de pedra que cortava o jardim da mansão.
A casa principal ficava lá no alto, imponente e silenciosa, cercada por árvores e luzes baixas.
Mais à frente, havia uma casa menor, charmosa, com cortinas brancas nas janelas e uma varanda de madeira.
O som do vento batendo nas folhas parecia me dar boas-vindas.

— Aqui é a casa de repouso, senhora. — explicou uma das mulheres, abrindo a porta pra mim. — O senhor Kim mandou preparar tudo pra você e a bebê.

Entrei devagar.

O ar lá dentro era morno, cheirava a lavanda e madeira nova.
Sobre a mesa havia frutas frescas, uma garrafa de água e roupas dobradas com cuidado.

Olhei ao redor, um pequeno quarto com uma cama macia, cobertor limpo e um berço ao lado.
No canto, uma cozinha simples, mas aconchegante. Era o oposto do inferno onde eu estava há poucos dias.

Segurei minha filha com mais força.
Ela ainda dormia, o rostinho tranquilo.
Um nó subiu na minha garganta.

— Obrigada… — murmurei, olhando para as mulheres. — Obrigada, de verdade.

Elas trocaram um olhar discreto, e uma delas respondeu:

— O senhor Kim pediu pra dizer que aqui ninguém vai machucar você. Pode descansar.

As lágrimas escaparam antes que eu pudesse segurar. Eu queria acreditar naquelas palavras.
Queria acreditar que, finalmente, estávamos seguras.

Elas me ajudaram a colocar a bebê no berço. Ela se remexeu um pouco, resmungando baixinho.

— Ela tem fome. — disse a mulher mais velha. — Posso preparar o leite pra senhora?

Balancei a cabeça negativamente.

— Não… eu faço. Quero cuidar dela.

A mulher assentiu e saiu com a outra, fechando a porta com cuidado.

O silêncio ficou.
E eu respirei fundo.

Fui até a cozinha pequena.
As mãos tremiam quando peguei a mamadeira.
A água quente já estava no bule, como se alguém tivesse previsto o que eu faria.
Misturei a fórmula com calma, observando o pó se dissolver.

Era estranho preparar aquilo.
Eu sempre sonhei em amamentar minha filha, sentir ela perto, saber que dependia de mim.
Mas Jimin tinha tirado isso de mim.
Ele e as mentiras dele.

Voltei pro quarto e me sentei na cama.
A bebê abriu os olhinhos, meio sonolenta.

— Oi, meu amor… — sussurrei, sorrindo entre lágrimas. — Esta com fome?

OBSESSÃO Histórias para pegar e não largar. Descubra agora